4 instagrammers portugueses que nos inspiram

São imagens que não consigo ignorar. Lembro-me de algumas situações em que as vi pela primeira vez. Já não me lembro ao certo através de quem. Mas marcaram-me. Pela luz, pela arquitectura, pelas formas, pelo minimalismo ou pela originalidade. Todas elas têm alguma coisa para trazer para este lado do ecrã. São de uma inspiração ousadamente simples. Quase perfeita. Quase palpável.

Trago-vos 4 portugueses que merecem todo o destaque. Todo o burburinho à volta do que conseguem transparecer através de uma simples fotografia. São contas pequenas, que não chamam muito a atenção até as vermos pela primeira vez!

Joana Nunes 

@jnunes_

“Não posso falar do papel que a fotografia ocupa na minha vida sem começar por falar no desenho. Foi o desenho que me ensinou a observar e a ter um olhar selectivo sobre aquilo que vejo. Foi com o desenho que aprendi a importância da luz e da ausência dela. A fotografia surge depois, mas inevitavelmente segue a intuição do desenho. Olhando para trás, talvez consiga identificar o momento em que a fotografia entrou (de forma mais significativa) na minha vida – durante uma viagem pelo sul de Espanha, em 2011. A partir daí comecei a fotografar de forma mais recorrente, comprei a minha primeira máquina fotográfica “a sério”, usei o registo fotográfico como instrumento principal na minha dissertação de mestrado e comecei também a fazer algumas experiências em analógico.

Em 2013 “cheguei” ao instagram e hoje, quase sete anos depois, percebo o papel que a fotografia passou a ocupar na minha vida. A fotografia permite-me comunicar de uma forma muito intuitiva e sem grandes pretensiosismos. Sou uma pessoa bastante reservada, e nesse aspecto a fotografia acaba por ser muito libertadora. É muito difícil para mim falar do que me inspira, consigo encontrar interesse nas coisas mais banais (por muito que isto soe a lugar-comum). Dá-me tanto prazer fotografar os meus gatos numa manhã de sol, como uma peça de fruta sobre a mesa, uma rua deserta, uma jarra de flores secas ou um corpo humano.

Neste mundo das redes sociais, o instagram continua a ser a plataforma que mais utilizo (talvez por ser a que ainda tem menos “ruído”). 

Ultimamente tenho sentido necessidade de explorar um registo mais espontâneo e menos vinculado à ideia de coerência que surge inevitavelmente quando a foto passa a fazer parte de um conjunto. De certa forma, é uma tentativa de contrariar aquilo que, por defeito de profissão e uma boa dose de OCD, me leva a uma procura exaustiva e quase milimétrica na composição de cada foto. Para isso, criei um highlight – RAW – onde publico alguns registos informais e (quase) diários de fragmentos e pequenas coisas que encontro no meu dia-a-dia, no caminho entre casa e o trabalho ou num passeio de domingo.

Para terminar (e porque a época do ano pede resoluções), espero ter mais tempo para fotografar e para continuar a procurar diferentes registos que me deixem fora da minha zona de conforto.”


Philippe 

@lippesim

“30 anos. Nascido em França e vivi la até aos 10 anos. Frequentei o curso de design e artes gráficas e mestrado de design editorial em Tomar. Sempre tive uma ligação com a arquitetura porque meu pai trabalha com construção e lembro-me que ele, quando eu era miúdo, trazer rolos e rolos com projetos de moradias. Eu ficava fascinado! Sempre pensaram que ia seguir arquitetura, assim com eu, confesso. Tirei o curso de desenhador técnico e depois percebi que não era o que queria seguir, de facto. Uma nova paixão foi surgindo – a fotografia.

Sem dúvida que o que desencadeou isso foi o aparecimento dos telemóveis com câmara. Não me considero fotógrafo. De todo. Segui design, porque o curso em questão também tinha cadeiras de fotografia. Pode dizer se que “juntei o útil ao agradável” e no meio disso tudo a arquitetura entrou nas minhas fotografias. Só depois disso surgiu o instagram na minha rotina, a minha mãe teve instagram antes de mim!

Onde me inspiro: em todo o lado, cliché, mas é mesmo verdade. A arquitetura tem um grande peso, mas não só. Estou a entrar para uma linguagem estética mais “moody”. Não tão técnica ou apenas com branco. Tento explorar algumas cores, tons e principalmente formas, ‘’aventuro-me” e exploro também o corpo. Mas sempre com muita sensibilidade. Nunca vi o instagram como forma profissional nem nunca o ambicionei.É o meu portfólio, quando me perguntam o que gosto e o que eu faço.”


Sofia Almeida

@masofialmeida

“O percurso profissional é cheio de curvas e contra curvas, mas a paixão pela arte, nomeadamente pintura e fotografia sempre esteve lá. O bichinho da fotografia veio já do meu pai que partilhava a mesma paixão. Criei a minha página de instagram numa altura um pouco mais triste da minha vida. Foi como um escape onde eu poderia partilhar a mesma paixão pela fotografia e onde pudesse seguir outros que me inspirassem. 

Tenho sentimentos contraditórios sobre o que é vida real e o que é postado no instagram. Eu quero é ver imagens bonitas e cuidadas. Que me façam sonhar, que me inspirem a melhorar algo que ache que possa ser melhorado. A vida real está sempre presente nos nossos dias. Dias bons e dias maus. eu sei que todos sem excepção, temos disso. No instagram, quero é sonhar. É como ver um bom filme, ou um bom livro. Queres tirar algo de inspirador de lá. Para mim, as redes sociais e principalmente o instagram são uma caixinha onde espreito o mundo. Outros mundos e outras vidas. E se te estás apresentar ao mundo, porque não ter uma imagem cuidada?

Um dos meus temas preferidos de fotografar e de seguir: fotografia de viagem. E olhando para a minha pagina acho que é o mais comum e transversal. Há tanto mundo para ver e no instagram vou viajando e sonhando. Posso dizer que desde que tenho a página, quando viajo tenho muito mais atenção ao que vejo: às linhas, às cores, às pessoas, a tudo o que daria uma boa imagem. Isso faz me bem. Ajuda-me com a ansiedade porque estou focada e obriga-me a olhar para o lado bonito das coisas. 

Já deixei de ligar ao numero de seguidores. Era bom ter mais gente com quem partilhar, mas hoje em dia está tudo muito viciado e, ou fazes disso ocupação a tempo inteiro, ou partilhas pelo simples gosto de o fazer. Estou nessa fase.”


Andreia Afonso

@andreiaafonsov

“Sou da ilha da Madeira. Vivo em Edimburgo há cinco anos e a minha formação é em Artes Plásticas. A paixão pela fotografia veio dos tempos da universidade onde descobri as maravilhas da fotografia analógica pela primeira vez.

Obviamente que, com o trabalho e consequente falta de tempo, esta passou para segundo plano. Só com a descoberta do instagram e o meu gosto por imagem é que comecei a dedicar-me mais e a arranjar uma desculpa para sair e fotografar. 

Como sempre gostei de fotografia de comida, pois adoro cores e padrões, no ano passado decidi aprender noções de luz, tendo em conta que vivo num sítio com pouca luz no inverno. E nisto começaram as naturezas mortas e foi assim que nasceram os meus #100daysoffruitbites.”

 

Não são precisos milhares de seguidores para dedicarmos toda a nossa visão a uma única imagem. Basta muitas vezes uma pausa, um pormenor, um contraluz. São momentos de quase genialidade. São pessoas dotadas de uma beleza artística inigualável.

Espero que tenham ficado tão apaixonados quanto eu!

 

 

Escrito por: Joana

Joana. Casada com o João. Mãe do Sebastião. Mãe emprestada de uma Teckel, a Sushi, e de um gato rafeirão, o Tozé. Vive em frente ao mar e adora o campo. Quer alcançar o significado da palavra devagar. Viver devagar, saborear cada segundo e cada detalhe. Ler mais.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *