Educar os nossos filhos para a empatia e solidariedade

A solidariedade e a empatia são alguns dos valores mais importantes que podemos ensinar aos nossos filhos. É certo que grande parte dos ensinamentos, sobretudo no que toca aos valores, são através do exemplo. No entanto, nunca é demais reforçar estes exemplos porque é na infância que estes valores ficam mais enraizados.

Não é por acaso que o Pais à Maneira Dinamarquesa foi um dos nossos artigos mais lidos. Este livro fala sobre alguns princípios da educação dos dinamarqueses, classificados como o povo mais feliz do mundo. Entre outros aspectos, as autoras referem a importância da empatia como um dos pilares para educar crianças felizes, capazes e confiantes.

 

Empatia é a capacidade de reconhecer e compreender os sentimentos dos outros. É colocarmo-nos na pele da outra pessoa, o que nem sempre é fácil. Num mundo dominado pela competição, ensinar bondade a uma criança pode ser bastante desafiante. No entanto, é a única maneira de criar crianças realmente felizes.

Na Dinamarca, a empatia é um conceito amplamente abordado na escola, de várias formas e em várias idades. Mas em casa os pais também podem ensinar empatia através da escolha da linguagem, da auto-regulação emocional e da leitura.

 

Empatia e linguagem

O tipo de linguagem que usamos, como pais, é importante. As crianças copiam e imitam aquilo que ouvem, por isso devemos primeiro tentar perceber como descrevemos os outros,  se somos tolerantes ou se julgamos. A linguagem empática reconhece emoções por trás das acções e não rotula. “Ele é mau” ou “ela é tão chata” não é linguagem empática. A melhor forma de evitar isto é encontrar formas de mostrar à criança que o comportamento dos outros tem razões e emoções por trás, que todos temos dias melhores e piores e situações em que estamos melhor ou pior.

Se nos lembrarmos que todas as crianças, no fundo, são boas, e que há um motivo para todos os comportamentos, isto ajuda-nos a ver o lado bom nos outros. Isto leva-nos a outro conceito, “reenquadrar” e à importância de ajudar as crianças a compreender os sentimentos por trás dos comportamentos e chegar a uma conclusão mais simpática.

Mesmo a tarefa de educar é difícil e não estamos sempre bem nem fazemos sempre a coisa certa. Sermos compreensivos connosco próprios é o primeiro passo para sermos mais tolerantes com os nossos filhos e com os outros.

 

Auto-regulação

Dizer às crianças como é que elas se deviam sentir é não lhes dar a oportunidade de auto-regularem as suas próprias emoções.

Para sermos capazes de reconhecer as emoções dos outros, temos primeiro de saber reconhecer as nossas próprias emoções. Muitas vezes, tentamos fazer este trabalho pelos nossos filhos, porque temos uma determinada expectativa sobre o seu comportamento, porque não temos tempo ou paciência ou simplesmente porque os queremos proteger das emoções “más”… mas é importante lembrar sempre que não há emoções boas ou más, apenas emoções. E que o que eles precisam é da nossa confiança, para perceberem os seus limites emocionais e construirem um forte sentido de auto-estima e conseguirem tomar decisões com confiança, com base naquilo que sentem.

 

Ler diferentes histórias

Ler é uma óptima forma de colocar vários cenários, encenar diferentes realidade e olhar para diversos pontos de vista. Ler todo o tipo de histórias, e não apenas aquelas que têm um final feliz, contribui para contactar com emoções mais difíceis. Por vezes, é mais difícil para o adulto falar de certos cenários e emoções do que para a própria criança. Se conversarmos de uma forma natural e não dramática dos vários aspectos da vida, altos e baixos, os nossos filhos serão mais resilientes no longo prazo. Além de muitas outras vantagens de ler, os livros são uma óptima forma de ensinar empatia e sempre um óptimo presente para dar e receber.

 

Falar de solidariedade deve ser uma constante ao longo do ano e de todas as idades. Solidariedade é sobre dar e perceber que o que temos tem ainda mais valor quando o partilhamos ou damos a quem precisa. Com crianças pequenas, isto pode passar por dar o exemplo, falar de casos em que ajudámos quem mais precisava, escolher brinquedos e outros bens para dar.

 

Ainda a propósito destes temas, no ano passado publicámos este artigo sobre 5 formas de fazer a diferença no Natal, que se mantém actual. Podem espreitar e deixar-se inspirar pela magia do verdadeiro espírito do Natal!

 

Fotografias da House Tour da Cláudia, que podem ver aqui.

Escrito por: Francisca

Alfacinha e fã assumida da sua cidade. Nasceu e cresceu em Lisboa e embora adore sair e viajar, gosta sempre de voltar. Gosta de dias de sol, flores campestres, coisas imperfeitas e mergulhos no mar. Ler mais.

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