Santiago Cooking and Nature, a importância dos produtos regionais

 

A pouco mais de uma hora de Lisboa, encontramos o Santiago Cooking and Nature. Na cidade de Santiago do Cacém e com uma vista privilegiada para o Castelo está este hotel, de linhas modernas e simples, a contrastar com o edifício da antiga pousada.

Assim que chegamos somos logo atraídos pelo chão de azulejo trabalhado e pelo conforto da enorme sala de jantar, que também integra a recepção e o bar. Ao fundo, uma bancada gigante, mas aberta para a cozinha, permitem-nos adivinhar pelos aromas que se difundem pela enorme divisão, o que será o jantar dessa noite, liderado pelo chefe Daniel Censi.

Estamos na época das beldroegas, espargos, abóboras, medronho e azeitona. Temos o mar mesmo ali ao lado, de onde vêm os peixes frescos servidos no restaurante do Santiago. Aqui, querem homenagear a terra e o que ela nos dá. Homenagear a história da gastronomia desta terra: uma história de vários povos e culturas, que se foram fundindo com os tempos, lentamente, que se cruzaram e que souberam juntar o melhor de cada uma delas. Daí nasceram pratos tão particulares como a açorda ou o ensopado de borrego. Mas mais do que apenas cozinhar, querem partilhar estes sabores regionais tão genuínos e aquilo que sabem e que vão aprendendo.

Decidimos, apesar do frio, aproveitar o dia solarengo de outono, e damos uma volta pela propriedade. A parede envidraçada da sala de jantar permite o acesso a um espaço exterior onde são feitas algumas das refeições quando o tempo está mais quente e onde são preparados alguns acompanhamentos com produtos regionais. Este é, aliás, um dos pontos atractivos do restaurante À Terra, produtos regionais, que privilegiam os sabores da estação e os produtores mais próximos e de menor escala. Como se estivéssemos em casa de familiares.

Ao fundo, a piscina, agora em manutenção nos meses de outono e inverno, faz-nos imaginar como será passar ali uma tarde de verão, com vista sobre a cidade, mas com todo o desafogo que a rodeia. Na antiga pousada, existe o ginásio e o spa, onde também é possível relaxar e esquecer os ritmos apressados da cidade.

Depois do nosso passeio pelas imediações, decidimos ir até ao Castelo, que agora é um cemitério, mas que tem um jardim adjacente muito bem cuidado e que vale a pena conhecer. Como lá em cima, o vento é agreste, vamos descendo pelo centro histórico até à praça municipal, onde decidimos parar na centenária pastelaria Serra e comer um croissant e um chá quente.

De volta ao Santiago Cooking and Nature, reservamos a nossa mesa de jantar, mesmo em frente à lareira e subimos até ao quarto, simples, mas com todas as comodidades que são necessárias. Mas a vista da varanda para o por do sol ao final da tarde é arrebatadora. Todos os quartos a têm e se pedirem um dos que estão no piso inferior, têm mesmo um pequeno alpendre com cadeiras e onde é servido um cocktail ao sunset.

No dia seguinte, o pequeno almoço, que é sempre uma das coisas a que dou mais importância, oferece bebidas vegetais, assim como leite de vaca e compotas caseiras, que são feitas nos workshops de compotas, que também podem fazer no hotel. Há de tudo, pêssego, tangerina, abóbora, assim como os pães que são igualmente cozidos no enorme forno a lenha atrás da bancada.

Aqui encontram o Alentejo – genuíno e rústico – em cada gesto.

Escrito por: Joana

Joana. Casada com o João. Mãe do Sebastião. Mãe emprestada de uma Teckel, a Sushi, e de um gato rafeirão, o Tozé. Vive em frente ao mar e adora o campo. Quer alcançar o significado da palavra devagar. Viver devagar, saborear cada segundo e cada detalhe. Ler mais.

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