Vamos desmistificar os óleos essenciais?

Convidámos a Helena Mota a responder-nos a algumas questões com que nos debatemos há algum tempo acerca deste mundo dos óleos essenciais. A Helena teve, durante algum tempo, uma parceria , o Ginger and the Moon, onde falava essencialmente sobre óleos essenciais 🙂 Por isso queremos pegar no seu conhecimento e perceber se afinal são para incluir ou não no nosso dia a dia:

Porque razão deveríamos todos incluir os óleos essenciais no nosso dia a dia?

Os óleos essenciais são, essencialmente, líquidos muito concentrados constituídos pelos compostos aromáticos voláteis que estão presentes nas mais variadas plantas. Estes compostos são o que dão às plantas o seu aroma e o que as protege contra as adversidades da Natureza, incluindo predadores, e atrai os polinizadores. Temos a sorte de podermos, através dos óleos essenciais, beneficiar destes poderes das plantas no nosso dia-a-dia, tanto a nível físico, como mental e emocional e até espiritual. Independente das necessidades da pessoa (que vai, de certeza, variar de pessoa para pessoa), os óleos essenciais podem ser muito benéficos e uma boa adição à rotina diária. Quer seja porque temos problemas em relaxar e/ou adormecer, porque precisamos de nos energizar ou suportar o nosso sistema imunitário de forma natural, porque queremos algo que nos ajude com o desconforto digestivo ou tensões musculares ou até porque queremos arranjar soluções mais naturais e saudáveis para limparmos a nossa casa e tratarmos da nossa pele, os óleos essenciais podem ajudar-nos.

Quais são as maiores vantagens da sua utilização?

Como dá para ver, os óleos essenciais são super versáteis e podem-nos ajudar a suportar e melhorar o nosso bem-estar e o das nossas famílias, diminuindo o uso de químicos nocivos e oferecendo benefícios ao nível da saúde e bem-estar emocional e mental. A grande vantagem é que são soluções naturais e existem imensos óleos essenciais diferentes, com características diferentes, o que nos permite criar uma solução individualizada. Outra vantagem é que, apesar  de todos serem diferentes entre eles, um único óleo pode ser utilizado para uma variedade de situações, o que significa que, até com uma pequena coleção de óleos conseguimos cobrir uma grande parte das nossas necessidades.

Devemos sempre misturá-los com outros óleos vegetais se for para aplicação directa?

Embora existam alguns óleos que são seguros para aplicação direta, eu diluo-os 99% das vezes por duas razões. A primeira e mais óbvia, é que diminui o risco de sensibilidade da pele. A segunda é que, ao usar um óleo veicular como o óleo de coco fraccionado (ou outro), retardamos a evaporação do óleo essencial (lembram-se de termos dito que eram compostos voláteis?) e prolongamos o benefício do seu contacto com a nossa pele. Normalmente, os óleos vêm sempre com instruções de utilização e é importante estarmos cientes de que estas instruções variam de óleo para óleo e, por isso, temos sempre de as ler antes de usar um óleo pela primeira vez. Por exemplo, óleos como os de canela, gerânio e orégão têm de ser sempre diluídos. Também é boa ideia diluir um óleo, mesmo que seja seguro para aplicação directa, quando o usarmos pela primeira vez, uma vez que ainda estamos a avaliar a nossa reação a esse óleo em particular. Por norma uso o rácio de diluição- 1 gota de óleo essencial para 3 de óleo veicular- mas claro que isto varia consoante o meu objetivo e a pessoa na qual vou aplicar os óleos.

Como sabemos qual a dose que devemos utilizar? Existe risco de sobredosagem?

No que toca aos óleos essenciais, por norma, menos é mais. Sugiro sempre usar menos, mais vezes ao dia, do que começar com quantidades maiores. E quando falo em pouco, estou a falar de uma ou duas gotas apenas. Os óleos essenciais são muitíssimo concentrados (1 gota de óleo essencial de menta equivale a 23 chávenas de chá) e potentes, por isso, uma gota por norma oferece tudo o que precisamos. Podemos depois reaplicar mais vezes ao dia (a cada 4 a 6 horas). Isto é especialmente importante quando começamos a utilizar óleos essenciais pela primeira vez. No caso de sentirem algum desconforto (dores de cabeça, enjoo…) não usem mais o óleo essencial para já. Mais tarde, outro dia ou outro mês podem voltar a tentar. Como em tudo, existe um ponto em que a quantidade de óleos essenciais pode começar a ser nociva ou tóxica para o nosso corpo (e isso acontece até com vitaminas e minerais), mas este nível é muito maior que a dose recomendada.

Quais os melhores óleos para esta altura do ano e porquê?

Esta altura do ano caracteriza-se por mudanças de temperatura que, muitas vezes, acabam em constipações e pelos “blues” outonais à medida que vamos ficando com menos sol. Por isso, as minhas sugestões para esta altura do ano seriam óleos cítricos para elevar o espírito e energizar, e óleos ou misturas (ex. OnGuard da doTERRA) que contenham cravinho, gengibre e canela porque vão deixar a vossa casa a cheirar a Outono, mas também porque estes óleos são ótimos para estimular o sistema imunitário e ajudam a proteger contra as ameaças sazonais. Também podem utilizar óleo de limão e árvore-do-chá no difusor porque ajudam a purificar o ar.

São completamente seguros nas crianças?

A informação que existe em relação à utilização de óleos essenciais em crianças varia imenso. No entanto, a resposta que vou dar é que em geral sim. É claro que temos sempre de lembrar que existem precauções que temos de ter, especialmente visto que as crianças ainda estão em desenvolvimento e são mais sensíveis que os adultos e por isso, as regras ou recomendações de utilização são diferentes. O primeiro passo é garantir que os óleos são completamente puros (sem nenhuns aditivos) e de boa qualidade. As crianças vão precisar de doses menores que as dos adultos e é indicado diluir todos os óleos quando vão ser aplicados na pele sensível das crianças. Há quem recomende como generalização 1 gota de óleo essencial para 5 de óleo veicular, mas isto varia muito consoante a idade e estado de saúde da criança. Além disso devemos sempre evitar zonas sensíveis (o mesmo se aplica aos adultos) como os olhos e a pele à sua volta, ouvidos e nariz (parte interna). Há óleos que nunca devem ser usados em crianças e a lista varia consoante a idade da criança e o que é certo em quase todas as fontes é que devem ser evitados em crianças com menos de 3 meses. Não sou terapeuta, por isso, não posso dar recomendações específicas, mas sugiro que investiguem um pouco mais e que falem com um aromaterapeuta para que possam decidir como querem ou não usar os óleos nos vossos filhos.

Partilha connosco que óleos utilizas e quais as suas propriedades, no dia a dia da tua família

O que uso varia imenso de dia para dia, consonate as necessidades da minha família, mas estes são alguns dos que utilizo com maior frequência:

  • Lavanda ou uma mistura de óleos que promova o relaxamento e ajude na hora de dormir. Costumo usar no difusor, quando se aproxima a hora de deitar e uso a mistura pré-diluída para crianças da doTERRA na sola dos pés e na parte de trás do pescoço. Às vezes também faço as minhas próprias misturas, por exemplo, juntando Vetiver ou Ylang-ylang.
  • Durante o dia gosto de usar misturas de óleos cítricos e menta para energizar e levantar a moral.
  • Antes de ir para a escola também gosto de lhes aplicar as misturas Thinker, Brave ou Stronger da colecção doTERRA Kids.
  • Quando estou a fazer as limpezas em casa também gosto de colocar no difusor os óleos de limão e árvore-do-chá ou uma mistura purificadora para ajudar na purificação do ar e também faço os meus próprios detergentes de limpeza com óleos de laranja, limão (ou outro citrino), árvore-do-chá ou OnGuard.
  • Também faço a minha própria mistura com água, vinagre de cidra e óleos essenciais de lavanda e árvore-do-chá para limpar o meu tapete de ioga.
  • Gosto de muito fazer gua sha e quando o faço junto uma gota de óleo de lavanda, árvore-do-chá, gerânio ou semente de cenoura no óleo de jojoba que uso para fazer esta massagem ou técnica.
  • Também uso muito o óleo de árvore-do-chá no acne que ainda aparece
  • Como por vezes tenho períodos de muita ansiedade, gosto de colocar uma gota de Copaiba debaixo da língua de manhã.

 

Obrigada Helena pela ajuda preciosa nesta desmistificação dos óleos essenciais. Ficámos mais seguras da sua utilização e com mais conhecimento para nos podermos aventurar neste mundo mais natural e que traz tantas vantagens à nossa qualidade de vida e bem-estar familiar.

 

Podem acompanhar a Helena aqui.

 

 

Foto 1 by Christin Hume on Unsplash
Foto 2 by Kelly Sikkema on Unsplash

Escrito por: Joana

Joana. Casada com o João. Mãe do Sebastião. Mãe emprestada de uma Teckel, a Sushi, e de um gato rafeirão, o Tozé. Vive em frente ao mar e adora o campo. Quer alcançar o significado da palavra devagar. Viver devagar, saborear cada segundo e cada detalhe. Ler mais.

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