Irlanda, uma roadtrip em família

Depois de Dublin, pegámos num carro e percorremos algumas das estradas mais bonitas da Irlanda. No primeiro dia da nossa roadtrip fomos para Cork. Pelo caminho, parámos em Rock of Cashel e Cobh, o último porto de onde partiu o Titanic, antes de naufragar, em 1912.

Apesar de este caminho ter sido quase todo feito pela auto-estrada, depressa entrámos na Irlanda mais rural, onde se viam vacas ou ovelhas de ambos os lados da estrada, onde o verde se perdia de vista. As vilas, sempre engraçadas e pitorescas e as pessoas, sempre simpáticas e muito prestáveis.

Este foi um dos pontos altos da viagem: a hospitalidade e a simpatia das pessoas fez-nos sempre sentir muito bem. Sempre atenciosos e preocupados com o Lourenço, quase que nem sentíamos que estávamos fora do nosso país, da nossa ‘zona de conforto’.

Outro ponto alto da viagem foi, sem dúvida, a gastronomia. É um país que produz e consome muita carne e queijo, mas também muitos vegetais e peixe nas zonas costeiras, acabando por ter uma alimentação variada e equilibrada. Comemos sempre muito bem, sobretudo nos sítios mais pequenos e mais ‘caseiros’, em que se percebia que era literalmente farm to table, sem pretensiosismos. 

No terceiro dia, rumámos a Killarney, com passagem por Kinsale, uma vila piscatória muito engraçada, onde almoçámos.

kinsale

 

Killarney também é uma pequena cidade, com uma rua principal cheia de vida, e fica ao lado um parque nacional com várias atracções e pontos de interesse, como o Ross Castle.

No dia seguinte o sol finalmente apareceu e não precisámos mais de casacos até ao final da viagem! Começámos o dia a correr e a brincar no Killarney golf club, que tinha um green a perder de vista e um lago mesmo ao lado.

A viagem já foi bastante exigente em termos de quilómetros e paragens, mas tivemos de fazer algumas opções para não a tornar demasiado cansativa (e chata para um miúdo de dois anos). Uma delas foi não fazer o Ring of Kerry completo (uma estrada das mais pitorescas e turísticas da Irlanda, com 179 km), mas apenas uma parte, até Kells Bay. 

Fomos ao Kells Bay House and Gardens, que tem uns jardins muito bonitos e uma ponte de corda enorme, que achámos que seria um programa divertido para fazer, sobretudo com o Lourenço. Aconselho mesmo para quem for com miúdos, são umas horas muito bem passadas. Os jardins são enormes e muito bonitos, com o mar ao fundo, dinossauros esculpidos em troncos de madeira e a tal ponte de corda.

À tarde, fizemo-nos à estrada para chegar a Dingle, onde iríamos ficar nessa noite. Dingle foi talvez o meu sítio preferido desta viagem. Imaginem uma pequena vila, à beira do mar, com casas às cores, um dos melhores gelados do mundo (Murphys ice cream), um dos restaurantes onde já comi as melhores refeições de peixe da minha vida (Out of the blue), toda a gente muito simpática. A acrescer a isto, ficámos num Bed&Breakfast de uma família que nos acolheu muito bem e que tinha um campo de futebol e alguns animais – um burro, cabrinhas, galinhas e patos. O Lourenço delirou e só ficámos com pena de não ter ficado neste sítio mais tempo.

Na manhã seguinte, depois do pequeno almoço (os pequenos almoços foram sempre maravilhosos!) e de alimentar todos os animais, seguimos viagem, passando por Conor Pass, até Tralee, onde almoçámos, no Quinlan’s Fish. À tarde fomos visitar as incríveis Cliffs of Moher e continuámos a nossa viagem pelo meio dos campos e do verde, até chegar a Galway.

Galway pareceu-nos uma cidade com imensa vida, uma atmosfera jovem e animada, ruas cheias ao pôr do sol e restaurantes ainda mais cheios à hora de jantar. Jantámos na pizzaria mais famosa da cidade (The Dough Brothers), que tinha uma fila enorme à porta mas que valeu a espera.

No dia seguinte, depois de um brunch reforçado, seguimos para o parque nacional de Connemara.

O nosso último dia de viagem foi passado a admirar as paisagens mais bonitas, entre lagos e montanhas que quase pareciam cenários cinematográficos.

Fomos a Kylemore Abbey e depois voltámos para Dublin, onde ficámos ainda nessa noite e de onde apanhámos o avião de regresso, na manhã seguinte.

Foi mais uma viagem memorável, pelas paisagens, pelas pessoas, pela comida, pelo sentimento de tranquilidade e segurança, quase como se estivéssemos em casa. 

 

Podem ver aqui a primeira parte desta viagem, o que fizemos em Dublin e ainda algumas dicas práticas para viajar para a Irlanda.

Muito deste país ficou ainda por ver, mas este roteiro para uma semana é ideal, seja a dois ou em família!

Escrito por: Francisca

Alfacinha e fã assumida da sua cidade. Nasceu e cresceu em Lisboa e embora adore sair e viajar, gosta sempre de voltar. Gosta de dias de sol, flores campestres, coisas imperfeitas e mergulhos no mar. Ler mais.

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