Alimentação para bebés: dicas & receitas

Hoje falo de um tema que me interessa e de que sempre gostei: alimentação (de bebé!). Quem já me conhece sabe que sempre gostei de cozinhar, de comer, de inventar na cozinha. Quando fui Mãe pela primeira vez, a introdução dos sólidos e o início da diversificação alimentar foi um novo mundo que adorei explorar e sobre o qual investiguei bastante, para fazer as melhores escolhas e encontrar as melhores receitas e ideias.

 

Diversificação alimentar

Com o segundo filho, repito um pouco a experiência – talvez ‘simplifique’ até um pouco mais. No primeiro, segui as instruções da pediatra (em quem confio imenso!) e fiz tudo muito ‘by the book’. Carne aos 6 meses, peixe aos 7, ovo só aos 8 meses, leguminosas aos 9 e frutas como citrinos e morangos só aos 10 meses/1 ano. Estas indicações variam até entre pediatras e especialistas, por isso cada pessoa deverá seguir as indicações do seu pediatra, médico de família ou até a sua intuição, confiando no bom senso. Como não temos histórico nenhum de alergias na família, tenho introduzido os alimentos com a Teresinha de forma muito natural, tentando apenas respeitar a regra de esperar 2 ou 3 dias depois de introduzir um novo alimento (pelo menos os mais alergénicos, como os frutos secos ou o ovo).

Outra das questões que também adaptei e estou a levar de forma mais relaxada é a introdução/consumo de proteína animal na dieta da Teresa. Com o Lourenço, ofereci vários tipos de carne e dava sempre carne ou peixe, em todas as refeições ou pelo menos todos os dias. Entretanto, nós próprios fizemos algumas mudanças na nossa alimentação e quase não consumimos carne em casa, apenas algum peixe, e privilegiamos muito as fontes de proteína vegetal. Por isso, falei com a pediatra, que está totalmente alinhada connosco, e é apologista de que a criança deve seguir a dieta que é feita em casa.

Assim, já não me preocupo se as sopas da Teresinha têm x gramas de carne ou peixe e só introduzi as carnes que consumimos em casa (brancas). Passei a incluir nas sopas e papas outras fontes como quinoa, sementes e vários tipos de cereais. Leguminosas e ovos também são excelentes alternativas para consumir proteína e, claro, o leite, que continua a ser o principal alimento dos bebés até ao 1 ano de idade. Além disso, a falta de proteína nas crianças é rara e não costuma ser um problema, a menos que afecte o crescimento.

 

Baby Led Weaning?

Nunca fiz Baby Led Weaning (sei que só faz sentido falar de BLW quando é puro – isto é, o bebé só se alimenta na quantidade que quer e escolhe os alimentos, entre os que lhe são oferecidos). Mas, porque acho que é uma experiência sensorial muito rica, ofereço alguns alimentos inteiros como ‘complemento’ das refeições que são à base de purés e papas, durante os primeiros meses. Por exemplo, uma refeição para a Teresa, com 7 meses, inclui sempre uma sopa (puré de legumes) e fruta esmagada. Mas antes, depois, ou até ao mesmo tempo da sopa, ponho-lhe no prato alguns legumes cozidos, como batata doce, bróculos ou cenoura, ou fruta como banana ou abacate, para ela comer à mão.

À medida que vão crescendo, podem-se ir dando várias opções de finger food: bolachinhas de aveia, panquecas, massa, palitos de vegetais assados, mini hamburgueres de legumes, muffins, almôndegas, ervilhas – a imaginação é o limite!

 

Dicas para a introdução de alimentos

  • O ideal é começar por oferecer purés de legumes aos bebés (em vez de papa), para que se adaptem aos sabores não doces e diferenciados.
  • O glúten deve ser introduzido aos seis meses. Há imensas opções para fazer papas caseiras, bolachas ou até pão.
  • A ideia é a introdução alimentar ser um momento descontraído e levado com tranquilidade. O bebé está a descobrir todo um mundo sensorial – sabor, cheiro, texturas, toque – por isso quanto mais o deixarmos explorar, melhor. Esta é também a ideia por trás do BLW, mas para quem não quiser seguir este método, pode sempre deixar o bebé mexer com as próprias mãos na comida, oferecer alimentos como legumes cozidos. Nem sempre dá para fazer isto, mas nem que seja às vezes, já é óptimo.
  • No início é normal que o bebé não coma muito. Uma a duas colheres de sopa são suficientes para o bebé provar os primeiros sabores. Gradualmente, pode-se ir aumentando a quantidade, à medida que o bebé come mais. Nas primeiras vezes, pode-se complementar a refeição com leite, até a refeição ser totalmente substituída por legumes, fruta ou papa.
  • Pode-se começar por dar os primeiros purés ao almoço e depois introduzir também jantar e lanche (por volta dos 6 meses).
  • Para a preparação dos primeiros purés de legumes e sopas podem usar-se abóbora, cenoura, cherovia, batata doce, curgete, chuchu, alho francês, bróculos, couve-flor, feijão verde, agrião e ervas aromáticas. Ao início podem preparar-se purés de um só alimento para introduzir os novos sabores. Também é uma forma prática de congelar, em doses pequenas, utilizando por exemplo cuvetes de gelo. Depois de congelado, retiram-se os cubos das cuvetes e podem guardar-se em sacos ou caixas, podendo depois ser misturados com outros purés.
  • Para fazer as sopas, costumo seguir a ‘regra’ de 4 alimentos: uma ‘base’ (batata doce, batata, courgete, chuchu, couve-flor), um laranja (cenoura ou abóbora), um verde (couves, bróculos, agrião, feijão verde) e um que dê mais sabor (alho, cebola ou ervas aromáticas). A na cadeira da papa tem várias ideias de receitas e combinações possíveis.
  • À medida que o bebé cresce, podem introduzir-se mais alimentos e sabores, conforme recomendações do pediatra. As combinações possíveis são infinitas e as papas, sopas e purés de fruta podem ser enriquecidos e reforçados com proteína, vitaminas e minerais, a partir dos 8-9 meses. Como?
  • A levedura nutricional e a levedura de cerveja em pó podem ser adicionadas às sopas, por exemplo, e são ricas em ferro e vitaminas do complexo B. Já as sementes de linhaça, chia e cânhamo (descascadas) têm um importante teor de proteína, ferro, zinco e ómega 3. As sementes de sésamo, abóbora, girassol e papoila têm elevados valores de ferro, zinco, cálcio e magnésio. As sementes devem ser trituradas e adicionadas moídas.
  • O ferro, essencial na formação da hemoglobina e no transporte de oxigénio para as células, decisivo para um sistema imunológico forte, pode ser reforçado através da escolha de alimentos ricos em ferro. Algumas especiarias e ervas aromáticas secas, como o manjericão, coentros, tomilho, açafrão e canela, são ricas em ferro, podendo conter cem vezes mais ferro do que a carne. As sementes e frutos secos como caju, nozes ou figos secos, também são excelentes fontes de ferro. Legumes de folha escura, leguminosas e cereais integrais também devem fazer parte da alimentação das crianças por serem particularmente ricos em ferro.
  • Se o bebé não apreciar algum alimento, não quer dizer que se deixe de oferecer. Supostamente, os bebés precisam de provar um alimento 10 a 15 vezes até o aceitarem. Também se pode tentar misturar esse alimento com outro que saibamos que o bebé aprecia.
  • Deve-se tentar introduzir o máximo de alimentos e sabores nos primeiros 12 meses de vida.
  • À medida que o bebé cresce, pode-se ir alterando as texturas do purés e ir evoluindo para refeições cada vez mais ‘sólidas’.

 

Receitas & ideias

Deixo ainda algumas ideias de receitas e combinações que temos feito cá por casa (a partir dos 6 meses). Nos purés de legumes, estou sempre a variar e a introduzir algum sabor novo – coentros, manjericão, aipo ou cherovia são apenas alguns exemplos.

Outros purés e combinações que já experimentámos e ficam óptimos:

Batata doce, leite de côco e coentros

Curgete, ervilhas e hortelã

Cenouras e noz moscada

Manga, sementes de chia e leite de côco

Puré de maçã, cenoura e manga

Creme de abacate, maçã e hortelã

 

Papa de quinoa com maçã e abacate

( adaptada do livro Cozinha Vegetariana para bebés e crianças da Gabriela Oliveira)

3 c. de sopa de quinoa

1 chávena de água (250 ml)

1 maçã madura

1/2 abacate maduro

leite do bebé

(opc.) canela

Lavar a quinoa e cozer durante cerca de 15 minutos. A meio do tempo, juntar a maçã ralada ou em pedacinhos. Retirar do lume e juntar a polpa do abacate esmagada. Diluir antes de servir com um pouco de leite do bebé (cerca de 90 ml) para obter uma consistência cremosa.

 

Artigo escrito com base nos livros Cozinha Vegetariana pata bebés e crianças e Real baby food.

Escrito por: Francisca

Alfacinha e fã assumida da sua cidade. Nasceu e cresceu em Lisboa e embora adore sair e viajar, gosta sempre de voltar. Gosta de dias de sol, flores campestres, coisas imperfeitas e mergulhos no mar. Ler mais.

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