Sicília, a verdadeira Itália

 

Porquê a Sicília?

Há cerca de 5 anos eu e o João fomos até Itália. Roma, Milão, Veneza, Florença e uma roadtrip pela Toscana. Foi a nossa primeira visita ao país que nos fez reconhecer que não se come bem só em Portugal. Atrevo-me a dizer que tudo foi delicioso. Ouvir italiano, o dolce far niente, as vilas onde nos perdemos horas a contemplar o que de mais rústico existe, as cidades cheias de praças e de história, e a comida, claro.

Há pouco tempo um dos colegas de profissão do João, que é italiano, disse-nos que nunca ninguém conhece verdadeiramente Itália sem ir à Sicília. Que é lá que reside a verdadeira essência italiana, a melhor comida do país e que está tudo ainda muito inalterado. Além de que ainda pouco turístico. Foi o mote perfeito.

Queríamos  ir numa viagem a dois para descansar, não nos apetecia longos voos, lidar com jet lag ou uma cultura muito diferente da nossa. Assim, decidimos voar até Roma e daí outro voo pequeno até Catânia.

Começa assim a nossa viagem de 10 dias pela ilha mais emblemática de Itália:

Catânia

Sem, dúvida que esta zona da ilha foi a que mais prazer nos deu conhecer. Assim que aterrámos, alugámos um Fiat 500 (obviamente) ainda no aeroporto e partimos rumo ao turismo rural Baglio Occhipinti que foi, de longe, o mais bonito em que estivémos. Foi cerca de uma hora de viagem, entre estradas muito pitorescas mas envolvidas por uma natureza muito agreste. Chegámos antes de jantar e decidimos ficar pelo hotel, que era muito bem comentado relativamente à comida. Fomos recebidos com um copo de vinho branco local e daí a poucos minutos estávamos sentados numa sala com lareira acesa, música jazz de fundo e uma simpatia ímpar por parte do cozinheiro.

Ragusa

No dia seguinte, depois de um pequeno almoço retemperador com o que de melhor existe naquela ilha e naquela zona (ovos, espargos e tomate salteados, queijos, sumo de laranja natural (que lá tem a tonalidade da toranja e é super doce – não fosse a Sicília conhecida pelos seus citrinos – e uma salada de fruta da época) pegámos no carro e fomos até Ragusa Ibla. Que começo fantástico! Uma pequena vila isolada num pequeno monte, toda a mesma estética, casas super pitorescas e uma caminhada que nos valeu fotografias lindíssimas.

Módica

Perto dali, escolhemos um restaurante em Módica para almoçar, o Osteria dei Sapori Perduti, que nos deixou maravilhados com os pratos típicos, um gelado de pistácio no Café Adamo e uma visita à fábrica artesanal de chocolate Dolceria Bonajuto. Aqui o chocolate é feito com cristais de açúcar a temperaturas muito baixas e, ao trincar uma tablete, sentimos o seu crocante. Trouxémos alguns connosco, mas se soubéssemos como era tão tão bons,  teríamos trazido mais de certeza.

Siracusa, Noto

No segundo dia dirigimo-nos ao Palazzo Acreide e depois almoçámos umas sanduíches perfeitas (com ingredientes escolhidos por nós ao balcão – Caseificio Borderi) no meio do mercado de Siracusa. O tempo estava a adivinhar chuva, mas nem isso nos demoveu a ir até Noto. Sim , porque esta foi outra razão que nos levou à Sicília. Somos viciados em Chef’s Table, e um dos episódios é completamente dedicado a um café em Noto que se destaca por fazer granita de amêndoa. Sem dúvida que não podia faltar no nosso roteiro!

Noto é deslumbrante. As ruas todas paralelas, todos os edificios da mesma tonalidade, a Piazza Município com as suas esplanadas, as igrejas antigas e megalómanas. Mas claro, tudo isto potenciado pelo fantástico canolo de ricota e a granita de amêndoa do Café Sicília. Imperdível!

 

Agrigento

Ao terceiro dia despedimo-nos do acolhedor agro-turismo das últimas noites e rumámos até Agrigento. Estava um dia muito frio e chuvoso, mas ainda nos aventurámos no Valley of the Temples, património da Unesco, que engloba uns dos mais espectaculares templos gregos e ruínas da antiga cidade de Akragas. Vale a pena pisar aquele chão e observar os majestosos pilares ainda preservados depois de tantos terramotos.

À tarde fomos provar o mediático gelado de queijo pecorino de uma das mais famosas gelatarias da ilha, Le Cuspidi. Aquele gelado era o fim do mundo! Ao cair da noite, comemos uma divinal pasta alla vongole na La Posata de Frederico II.

Ao sair de Agrigento, no quarto dia, passámos pela Scala dei Turchi. Se não estivesse uma chuva infernal e um vento de cortar, de certeza teríamos aproveitado melhor esta magnífica obra da natureza. Uma formação calcária na encosta sul da ilha, que acaba no mar, que com a luz do sol deve fazer um autêntico espectáculo. Mesmo assim a sua imponência não nos deixou indiferentes.

Daqui fomos até Trapani, onde ficámos duas noites, porque um dos objectivos era apanhar o ferry boat até à Ilha de Favignana (que segundo nos informámos, era paradisíaca, com água turquesa cristalina).

 

Deixo a segunda parte do roteiro para um segundo artigo 🙂

 

 

Escrito por: Joana

Joana. Casada com o João. Mãe do Sebastião. Mãe emprestada de uma Teckel, a Sushi, e de um gato rafeirão, o Tozé. Vive em frente ao mar e adora o campo. Quer alcançar o significado da palavra devagar. Viver devagar, saborear cada segundo e cada detalhe. Ler mais.

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