O que a maternidade me ensinou

O artigo de hoje tem um tom mais pessoal do que o habitual, mas já vão perceber porquê.

Há muito tempo atrás, quase noutra vida, eu tinha um blogue. Sempre gostei de escrever. O meu primeiro blogue chamava-se Lost in Barcelona e era do tempo em que não havia Instagram e ainda não se usava Facebook. Criei-o, na altura, para partilhar com família e amigos algumas das peripécias do meu ano de Erasmus em Barcelona.

Tive um grande throwback ao reler algumas coisas agora, passados quase 11 (onze!!) anos. Eram mesmo outros tempos. Não havia whatsapp nem facetime. Falava algumas vezes por skype com os meus pais e amigos, mas vivíamos muito mais as coisas lá. Andava quase sempre de máquina atrás e era com ela que tirava as fotografias que hoje guardo daquele ano (e algumas que depois publicava no blogue). Quando contar isto aos meus filhos, eles vão achar mesmo estranho.

Alguns anos depois, já no apogeu do Facebook, apeteceu-me ter um blogue mais sobre temas em geral de lifestyle, viagens e afins. Uma coisa pequena e quase só para amigos, mas talvez já uma semente embrionária do que é hoje, em parte, o Fox & June. Acho que foi por causa dele que a Joana e eu nos conhecemos – nada acontece por acaso!

Esse blogue já não está online mas foi lá que ainda partilhei algumas coisas sobre os primeiros meses do Lourenço, nomeadamente um post sobre o que aprendi nos primeiros seis meses desde que tinha sido mãe. Hoje a Teresinha faz 7 meses e foi engraçado reler e perceber que muitas coisas se mantêm, outras mudam pouco, mesmo ao segundo filho.

 

As prioridades mudam 

O que não é mau, até porque, mais que nunca, fica claro qual é a nossa prioridade. Mas se antes um sábado à noite era sinónimo de party all night long, agora, quando fica com os Avós a prioridade é dormir.

Adenda: ao segundo filho, a prioridade passa a ser ter tempo de qualidade para nós, em casal.

 

Nada nos prepara para o primeiro filho (spoiler: nem para o segundo)

Na verdade, o primeiro também não nos prepara para o segundo, porque cada bebé é um bebé e podem ser super diferentes. Acho que nada nos prepara para o choque que nos deixa meio abananados que é ter um filho. A vida muda muito, e num segundo filho pelo menos já fazemos uma pequena ideia ao que vamos (mesmo que esteja lá nos confins da memória). Mas, eu que pensava que o ‘choque’ maior era passar de não ter filhos para ter um, acho hoje que é ainda maior passar de ter um para ter dois. Mas isso é agora, e provavelmente só se mantém até ao próximo desafio 🙂

 

Todos os dias quero ser melhor

Nunca houve nada – um trabalho, um hobbie ou outras pessoas – que me inspirasse e motivasse tanto para tentar todos os dias aproximar-me da melhor versão de mim própria. Na verdade, nunca houve nada que mudasse tanto a minha vida e que me desafiasse tanto a pôr-me em causa e aprender sobre mim mesma, todos os dias. Um pouco lame, mas verdade.

 

Tudo passa

Mas os dias são longos e, às vezes, custam a passar. Aquelas primeiras semanas, às vezes, parecem meses. Nas noites sem dormir, no choro inconsolável e sem explicação, na frustração do cansaço acumulado e não saber o que fazer. Não adoro a fase de recém-nascidos. Por mim fazia assim um fast forward para os seis meses, sabendo que depois há sempre alguma nostalgia daqueles dias em que dormem imenso, em que são tão pequeninos que cabem no nosso colo só num braço, e que podemos simplesmente ficar a contemplá-los a dormir. Mas, tendo o outro lado também, agora que sei o quão engraçados podem ser com 1 e 2 anos, apetece-me é que cresçam – mas não muito!

 

Baixar as expectativas e não fazer comparações

Como em tudo, ter expectativas e comparar com a galinha da vizinha, não ajuda em nada. É difícil (sobretudo com esta cultura de virmos pôr tudo cá para fora no instagram, o nosso ‘confessionário’), mas é mesmo necessário. Pela nossa sanidade, e pela deles.

Muitas vezes, comparamos os nossos filhos directamente com outros casos, com base na nossa experiência e na nossa expectativa. Uma Mãe pode dizer “o meu filho dorme a noite toda desde os 3 meses”. Isto, dito assim, pode ser interpretado de diferentes maneiras. Para mim, dormir a noite toda é das 20h às 8h mas, para outra pessoa, pode ser dormir 5 horas seguidas (como, de resto, é considerado na literatura sobre o assunto). Tudo uma questão de expectativas.

Cada miúdo é um miúdo, e os nossos são únicos!

 

A tendência é melhorar 

Em muitas coisas, e num panorama geral, é verdade.

Para mim em particular, a questão da amamentação é um bom exemplo. Não desisti nos primeiros dias por um fio, das duas vezes. Já falei aqui destas experiências

Mesmo a questão do sono, não é linear, mas (eventualmente!) eles vão dormir a noite toda.

 

Procurar ajuda (é um sinal de inteligência)

Não é preciso chegar ao limite para procurar ajuda. Antes pelo contrário. Muitas vezes, quanto mais cedo, melhor. Somos novas nisto, não nascemos ensinadas, mas ainda há algum estigma, por vezes, em “pedir ajuda”. Mas se há recursos, são para ser usados. Se quando o bebé está doente, recorremos a médicos e hospitais ou outro tipo de ajudas, porque não recorrer quando podemos prevenir e melhorar alguns aspectos, sem chegar a um limiar de desespero? 

Não temos de aceitar que um dia as coisas mudam, até porque em muitos casos simplesmente não mudam, se nada fizermos.

No meu caso, utilizei todos os recursos que estavam ao meu alcance na questão da amamentação (e tenho a certeza que não teria conseguido sem essa preciosa ajuda) e em relação ao sono, no Lourenço.

No caso da Teresinha, precisei novamente de ajuda com a amamentação e também com a questão do refluxo que ela teve nos primeiros meses e interferia bastante tanto com a amamentação como com o sono. Mesmo com o sono, em alturas mais difíceis, tive uma ajuda e dicas que foram preciosas! Novidade: não é só ao primeiro filho que precisamos de ajuda e não ficamos necessariamente umas pros em tudo.

Por fim, mas não menos importante, também podemos precisar de ajuda nós próprias – Mães. Para descansar, para recuperar a forma ou simplesmente para desabafar e nos sentirmos acompanhadas e compreendidas. Delegar, pedir apoio familiar ou de amigos, contratar alguém que possa ajudar em casa ou com o bebé, voltar a fazer exercício ou fazer psicoterapia.

Acho que este é o melhor conselho que posso dar às minhas amigas e a todas as futuras Mães – usem e abusem dos vossos recursos e peçam ajuda. Pela vossa saúde, pela vossa sanidade mental, pelos vossos bebés, pela vossa família. 

 

 

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Escrito por: Francisca

Alfacinha e fã assumida da sua cidade. Nasceu e cresceu em Lisboa e embora adore sair e viajar, gosta sempre de voltar. Gosta de dias de sol, flores campestres, coisas imperfeitas e mergulhos no mar. Ler mais.

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