7 momentos para um casamento saudável

Este artigo tem por base um retiro que eu e o João fizemos no final do ano passado. É um retiro jesuíta, com base no catolicismo, que faz parte da nossa vida. Mas o que vos trago através desta rubrica pode ser feito por todos os casais. Casados ou não casados, com ou sem filhos, com dois ou dez anos de casamento. Importante é quererem fortalecer o que existe entre vocês para que a vossa vida seja mais leve e feliz.

Primeiro é a paixão. Arrebatadora. No início queremos estar sempre perto do outro, trocar palavras, gestos, estarmos próximos. Damos e mostramos o nosso melhor, faz parte da conquista e dos inícios. Começa-se sempre cheio de vida, de planos e sonha-se muito, acordado, principalmente. Imaginamos como vai ser a nossa casa, os nossos filhos, os nossos dias e o nosso futuro. Depois constrói-se a casa, planificam-se férias, apresenta-se a família de um e de outro, vêm os animais de estimação e os filhos, os amigos dos dois e a vida vai acontecendo.

Os dias vão sendo rotineiros, já não se sabe bem o que fazer para o jantar, vão-se criando listas na porta do frigorífico com os países para onde queremos viajar, os natais na casa de um e de outro, ou a família toda junta. O trabalho de um e de outro, as desilusões, os patamares por alcançar, tudo se torna igual, a hora do banho dos miúdos que mais parece um cenário de guerra, os conselhos de um lado e de outro, as discussões em discórdia e, por muito que não se queira, o afastamento daquilo que nos uniu.

Estar em constante estado de paixão não é viável, as próprias feromonas cansam-se, os defeitos vêm à superfície, é impossível sermos os mesmos pelos quais nos apaixonámos. É a vida a desenrolar. Crescemos, amadurecemos neste processo, tornamo-nos pessoas diferentes, cada um à sua maneira, e vamos tentando conciliar tudo. Mas chega o dia em que a dúvida, inevitavelmente chega: porque estou eu com esta pessoa? Seja no meio de uma discussão, no rescaldo de uma reunião familiar de um dia especial, nos receios que aparecem ao cair da noite ou num afastamento por motivos de trabalho.

E quando esta dúvida surge não vale a pena fecharmo-nos em nós próprios e esperar que passe. Porque não passa. O amor que une duas pessoas pode perder-se nas expectativas defraudadas, nas cedências de cada um e no nosso próprio ego. Mas ele está lá. Não desaparece. Mas dá trabalho encontrá-lo novamente.

Neste artigo propomos aos casais que exponham, comuniquem, redefinam e encontrem de novo este amor através de alguns momentos de análise:

1º Momento: A vossa história

Objectivos

Olhar para a história da vossa família e trazer à memória os momentos pelos quais cada um se sente agradecido.

Aprofundar individualmente e em casal a importância de decidir viver agradecido.

Definir hábitos para por em prática a atitude de viver em contínuo agradecimento.

Proposta

Inicialmente cada um, individualmente, deve observar sua história, os primeiros encontros, o noivado (se existiu), os primeiros tempos de casamento (ou de vida a dois), a chegada dos filhos, etc.

Quais foram os momentos verdadeiramente importantes?

Que pessoas me marcaram?

Que acontecimentos guardo no coração?

Que experiências me ajudaram a aprender coisas novas?

Que dificuldades me ajudaram a crescer?

Trabalho individual 

Tirem algum tempo do vosso dia para este trabalho individual. 10 ou 20 minutos. Seja na hora de almoço, antes de se deitarem ou quando desligam das redes sociais. Peguem numa folha e numa caneta e escrevam. Sempre numa perspectiva de agradecimento, devem olhar estes factos com carinho. É importante parar e reviver esses bons momentos, saboreando especialmente os do dia a dia. Procurem centrar-se no bem que encontram e não no que não conseguem superar ou resolver.

No final, quando estiverem preparados. Juntem as vossas respostas, analisem em conjunto. Recordem os momentos felizes, foquem-se no bem. Reforcem o porquê de se terem encontrado e o que vos levou a ficar juntos. Partilhem o que sentiram ao fazer este exercício. Definam que hábitos propõem criar para viver em permanente agradecimento.

Foi um fim-de-semana dedicado só a nós, sem distrações. Recordámos imenso, aprendemos e crescemos juntos. Acima de tudo reforçámos os nossos laços. Neste exercício específico fomos muito felizes. Viajámos até ao início da nossa relação, os primeiros encontros, as primeiras viagens, a nossa primeira casa, os momentos que nos marcaram. O que nos fez apaixonar um pelo outro, o que mais gostamos no outro. Foi muito importante para nos reaproximar e lembrar o porquê de os dois termos decidido começar uma família. Porque a família começa com dois. Somos sempre a base de tudo o que vem depois.

 

Durante as próximas semanas trago-vos mais momentos para reflexão individual e em casal. Pontos importantes como: que tipo de relação querem ter em conjunto, que tipo de família são, liberdade e decisões, perdão, reconciliação e planeamento da missão da vossa família.

 

As fotografias são da Catarina.

 

 

Escrito por: Joana

Joana. Casada com o João. Mãe do Sebastião. Mãe emprestada de uma Teckel, a Sushi, e de um gato rafeirão, o Tozé. Vive em frente ao mar e adora o campo. Quer alcançar o significado da palavra devagar. Viver devagar, saborear cada segundo e cada detalhe. Ler mais.

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