Açafrão das índias

A rubrica Alimentos para todos os dias começa hoje. Será um artigo por mês com foco em alimentos que não devemos dispensar no nosso dia a dia pelas suas boas propriedades para a nossa saúde e pela simplicidade com que se podem incluir nos nossos pratos.

Hoje falamos de uma especiaria já conhecida, mas que ainda nos deixa algumas dúvidas quanto à sua inclusão nas nossas receitas: o açafrão das índias.

O açafrão das índias (ou curcuma) é uma especiaria utilizada na Índia há séculos pelas suas propriedade medicinais. A cor amarela do açafrão deve-se aos seus pigmentos polifenólicos, conhecidos como curcuminóides. Um desses pigmentos, a curcumina, é o seu componente mais activo devido às suas propriedades quimiopreventivas.

Mais recentemente várias evidências mostram que a curcumina poderá ter efeitos anti-inflamatórios e anti-cancerígenos, daí o seu interesse científico pelo potencial em prevenir e tratar doenças. Os resultados dos últimos estudo sugerem a importância deste fitoquímico na prevenção de cancro e como tratamento adjuvante com a quimioterapia.

A incidência de cancro é bastante mais baixa em regiões onde o consumo de açafrão das índias é muito elevado. Os dados epidemiológicos disponíveis indicam que alguns cancros comuns nos países ocidentais são muito menos prevalentes em regiões onde a especiaria faz parte da dieta.

A sua acção anti-oxidante é evidente devido à sua eficácia ao inibir a acção dos radicais livres in vitro, assim como a actividade de moléculas inflamatórias. Existem ainda estudos em culturas de células que sugerem que a curcumina pode aumentar os níveis de glutatião, um importante anti-oxidante intracelular. Outro facto é a sua inibição das enzimas de fase I e estimulação das enzimas de fase II, responsáveis pela eliminação de substâncias potencialmente cancerígenas.

No entanto, a curcumina tem uma biodisponibilidade baixa, ou seja, ingerida isoladamente não existe grande absorção da mesma pelo organismo. Assim, deve ser sempre ingerida juntamente com pimenta preta, que contém piperina, um fitoquímico que aumenta a biodospinibilidade da curcumina até 2000%.

Apesar de no início não fazer ideia de como incluir o açafrão das índias (em pó) ou curcuma (em raíz) no meu dia a dia, rapidamente deixou de ser um problema, por isso partilho convosco como mais gosto de ingerir esta especiaria que é tão benéfica para a nossa saúde. Nestes meses mais frios tem sido uma óptima vantagem para prevenir as constipações, gripes e dores de garganta cá de casa:

Caril de grão com couve Pak Choi

• 1 cebola • 1 dente de alho • azeite • 1 c. chá de açafrão das índias • 1 c. chá pimentão

doce • 2 c. chá caril • pitada pimenta preta • 1⁄2 c. chá garam masala • 2 chávenas de grão-

de-bico • 2 tomates aos cubos • leite de coco • 4 couves pak choi e coentros frescos

Refogar a cebola e alho no azeite. Juntar as especiarias e envolver. Adicionar os talos da couve, os tomates, o grão e o leite de côco. Cozinhar 15 minutos. No final, adicionar as folhas de couve. Tapar e desligar. Servir com quinoa cozida e polvilhar com os coentros picados.

Infusão de especiarias e mel

Adicionar à agua a ferver pedaços de curcuma às rodelas (raíz de curcuma), gengibre às rodelas, pitada de pimenta preta moída na hora, cascas de limão e deixar ferver 10 minutos. No final adicionar um fio de mel.

Adoro estas duas receitas. Faço a infusão quase todas as noites nestes dias mais frios. É super reconfortante e previne todas as mazelas desta altura do ano. O caril é super simples de fazer e mesmo ao final do dia é uma receita rápida, saborosa e nutritiva!

Artigo baseado no Curso “Fazer da Cozinha uma Farmácia”

Escrito por: Joana

Joana. Casada com o João. Mãe do Sebastião. Mãe emprestada de uma Teckel, a Sushi, e de um gato rafeirão, o Tozé. Vive em frente ao mar e adora o campo. Quer alcançar o significado da palavra devagar. Viver devagar, saborear cada segundo e cada detalhe. Ler mais.

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