TEX MB, inspiração em forma de nós

Numa manhã de Inverno, fria e solarenga, a Marta recebeu-nos no seu espaço de trabalho com um chá e uma boa conversa. Metros e metros de corda, paus de várias formas e feitios, materiais que, só por si, dão uma vibe boa (e boho) ao espaço.

Está a meio de um projecto grande, uma encomenda para a decoração de um novo hotel. Não é o primeiro do género que tem em mãos. Na verdade, desde que começou a dar nós, há quase três anos, nunca mais parou. Mercados, feiras, projectos de decoração. Trabalhou muito para chegar até aqui e, apesar de não ser um caminho fácil, acredito que é muito recompensador.

 

Tudo o que escrevo aqui não é novidade para mim. Conheço a Marta há muitos anos e acompanhei de perto o nascimento da TEX MB. Fui acompanhando a sua evolução, alguns dos desafios que teve, e a força e atitude positiva com que sempre a vi a conquistar etapas e a ultrapassar obstáculos.

Falámos sobre o processo de produção das peças, das suas ambições para o futuro, do processo para chegar aqui, dos desafios de ter um negócio próprio. A Marta é, para mim, um exemplo e uma inspiração de quem cria algo do zero, depois de ser ter despedido sem saber o que o futuro lhe reservava. Modéstia à parte, a par da admiração que sinto pela Marta, não deixo de sentir um certo ‘orgulho’ por ter sido eu a ‘apresentar-lhe’ o macramé.

 

 

Como é que defines o teu processo criativo?

Não é algo que consiga definir porque não é sempre igual. Nem sempre sou criativa quando quero ou preciso… Isso seria fantástico, porém eliminava o factor desafio. Penso que a criatividade é antes uma coisa que se vai estimulando.
Vou buscar inspiração às pessoas e lugares que me são queridos, ao mar, aos bons momentos, às coisas que leio e até ao que me acontece no dia-a-dia. Quando começo a cortar fio para uma peça, tenho ideia do que gostaria que saísse, mas nem sempre isso acontece. Ou porque não consigo reproduzir o que imaginei ou porque tive outra ideia entretanto.
As pessoas perguntam-me se, numa primeira fase, faço esboços em papel. Não faço. Já experimentei, mas não gosto nem tenho jeito para desenhar e o que fica bonito na folha pode não resultar na confecção – o que também já me aconteceu – e por isso não perco tempo com isso. Mas isto é só a minha maneira de trabalhar, cada pessoa tem a sua – que não é melhor nem pior, correcta ou errada. É a sua!

 

O que te levou a arriscar e a seguir este caminho?

Era a única coisa que tinha na altura e o risco não era elevado. Tinha deixado de trabalhar há uns meses e quando pessoas próximas viram as minhas primeiras peças, quiseram comprar e incentivaram-me a ir em frente. A minha família também acreditou e convenceu-me de que havia potencial, principalmente a minha mãe, que é uma ajuda incansável.
E foi isso. Enchi-me de coragem e avancei. Não é uma história mirabolante, mas tem tido um caminho muito feliz com um final que – espero! – ainda está longe.
Hoje em dia tenho mais tempo para mim, conheço-me melhor e sou constantemente surpreendida pelos trabalhos e projectos que me aparecem. Por isso agradeço. E a quem está à procura do seu rumo, deixo a força e o exemplo de que às vezes as coisas não são “lá muito” evidentes, mas se dermos oportunidade e tivermos um bocadinho de paciência, algo muito bom pode acontecer!

 

Quais os maiores desafios de teres uma marca tua?

Teres de te multiplicar. E o dia só ter 24 horas. Quando tens uma marca e as coisas dependem unicamente de ti, tens de fazer um bocadinho de tudo. Tudo depende de ti e estás sempre a tomar decisões. Por necessidade, reparas que tens mais competências do que aquelas que tens vindo a usar e isso ajuda-te a crescer como pessoa e como profissional. É uma coisa muito boa, mas também tens de fazer o que não gostas. Por exemplo, eu passava bem sem a parte dos números, mas estou literalmente a gerir um negócio. Nunca  pensei que fosse capaz e até gosto.
A gestão da expectativa também é outro desafio muito grande. Nada é muito certo, por isso mais vale ir com calma e dar passos conscientes, ainda que nem sempre seguros.

 

Quais os próximos passos da TEX MB?

Não sei. Quero dizer, tenho uma ideia… Mas vou embarcar agora numa viagem de dois meses para pensar, descansar e recolher inspiração. A TEX MB é uma marca que oferece trabalhos artesanais para decoração. Embora tenha trabalhado mais a vertente do macramé, há muito ainda por explorar. Voltarei de certeza com novas ideias e pronta para continuar a caminhar.

 

 

Podem ir acompanhando a Marta aqui, ver todo o seu trabalho aqui, quem sabe, encomendar-lhe uma peça especial.

 

Nos próximos meses, a Marta vai fazer uma (merecida) pausa, numa viagem que, tenho a certeza, será life changing.

Boa viagem, querida amiga. E que voltes cheia de inspiração para continuar a dar novos rumos à tua marca e a inspirar-nos com a tua determinação. 

Escrito por: Francisca

Alfacinha e fã assumida da sua cidade. Nasceu e cresceu em Lisboa e embora adore sair e viajar, gosta sempre de voltar. Gosta de dias de sol, flores campestres, coisas imperfeitas e mergulhos no mar. Ler mais.

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