Método Waldorf, crescer ao ritmo da natureza

A Metodologia Waldorf tem cem anos de existência e foi criada na Alemanha por Rudolf Steiner. Era inicialmente aplicada na escola para os filhos dos operários de uma fábrica e distinguiu-se desde início por ideias e métodos pedagógicos revolucionários.

Esta metodologia aposta acima de tudo na liberdade de desenvolvimento das crianças, valorizando nos primeiros sete anos de vida o aspecto sensorial em detrimento do intelectual. Trabalha a favor da tendência natural das crianças para serem activas, valoriza as experiências sensoriais nos primeiros anos de vida e vive ao ritmo das estações do ano. 

Inclui as vertentes científica, artística e estética e permite às crianças brincarem livremente e expressarem o que sentem, a partir daquilo que elas necessitam de desenvolver e criar.  A prioridade é que se revelem como seres únicos e por isso são expostas a um ambiente onde se podem desenvolver de acordo com a sua própria vontade.

Além da vertente artística, a pedagogia Waldorf está muit0 enraizada no respeito e na admiração pelo mundo, incutindo nas crianças a capacidade e a responsabilidade de intervir na preservação da natureza, tão importante nos dias de hoje. As escolas que seguem esta metodologia apostam numa formação com mais liberdade e em harmonia com a natureza, saudável para o corpo, para a alma e para o espírito. As refeições são vegetarianas e é comum a escola ter a sua própria horta onde ensinam as crianças a cultivar os legumes que são depois confeccionados na sua alimentação.

Tem uma lógica própria que integra, por exemplo, a aprendizagem da matemática em aulas de tricô, através da contagem, e o crochê mais tarde. Pintam aguarelas e fazem pão. Têm também contacto com elementos básicos, como a terra, pedras e palha que usam em algumas construções no próprio espaço da escola. Aprender não é uma obrigação, surge naturalmente, ao ter contacto físico com as diversas actividades, o que lhes permite depois essa aprendizagem de forma mais abstracta.

No sistema Waldorf é importante dar tempo e espaço suficientes para uma aprendizagem sem pressa e competição. Tem uma forte abordagem multicultural, que torna os mais pequenos mais responsáveis e autónomos, com consciência étnica e respeito pela diversidade.

Existem cada vez mais escolas em Portugal que seguem esta pedagogia, a maior parte concentra-se na zona de Lisboa. É um método de formação, se lhe podemos assim chamar, que faz todo o sentido na fase de mudança que atravessamos. Respeita a natureza no seu todo, ensina os mais pequenos a cuidar e preservá-la, desperta-lhes os sentidos que a sociedade lhes adormece com os métodos de ensino mais tradicionais. É sem dúvida uma lufada de ar fresco no desenvolvimento para os nosso filhos e que permitirá adultos mais conscientes e com um papel mais activo na sociedade no mundo.

Este artigo foi baseado na Revista Tribo e no site Educare.
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Escrito por: Joana

Joana. Casada com o João. Mãe do Sebastião. Mãe emprestada de uma Teckel, a Sushi, e de um gato rafeirão, o Tozé. Vive em frente ao mar e adora o campo. Quer alcançar o significado da palavra devagar. Viver devagar, saborear cada segundo e cada detalhe. Ler mais.

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  • Olá Joana, parabéns pelo artigo que aborda uma pedagogia ainda muito nova em Portugal e por isso geralmente desconhecida. Todas as iniciativas são poucas para divulgar pedagogias alternativas à tradicional!
    Sou pai de 3 rapazes (9, 5, 2 anos) e a minha mulher é alemã. Ela andou toda a vida no ensino Waldorf (na alemanha) até ir para a faculdade. A viver em Lisboa quando tivemos o nosso primeiro filho, fomos à procura de creches waldorf, o que para mim, naquela altura, era um mundo desconhecido. A minha mulher tinha uma ideia muito concreta (e genuina) da pedagogia Waldorf e o que encontrámos em Lisboa satisfez, de uma maneira geral, as expectativas da minha mulher, se bem que ela achou que aqui em Portugal há um fundamentalismo em quem gere as iniciativas Waldorf (e também em muitos pais) que não já existe na alemanha.
    Isto leva-me ao ponto que me levou a escever este comentário – há um erro comum em Portugal em relacionar pedagogia Waldorf com alimentação vegetariana, como o seu artigo faz. Ora, a única condicionante à alimentação é ser de origem biológica, de resto é uma alimentação perfeitamente normal e variada que, claro, incluí carne, peixe e vegetais!
    É uma pena que aqui em Portugal todas as escolas Waldorf sirvam apenas alimentação vegetariana, fazendo passar a ideia (errada) que ser Waldorf implica ser vegetariano. Errado!
    Penso que a razão de ser disto tem mais que ver com motivos económicos do que com ideológicos, pois como sabemos carne biológica é muito cara no nosso país…
    Um abraço e continuação de um excelente trabalho (que para ser franco só descobri depois de comprar a revista do Observador)

    • Olá António, muito obrigada pelo comentário e pela correção. De facto, muitas das informações que li, referiam apenas comida vegetariana e não biológica, mas assim ficamos esclarecidos 🙂

      Beijinho

  • Olá Joana, parabéns pelo artigo que aborda uma pedagogia ainda muito nova em Portugal e por isso geralmente desconhecida. Todas as iniciativas são poucas para divulgar pedagogias alternativas à tradicional!
    Sou pai de 3 rapazes (9, 5, 2 anos) e a minha mulher é alemã. Ela andou toda a vida no ensino Waldorf (na alemanha) até ir para a faculdade. A viver em Lisboa quando tivemos o nosso primeiro filho, fomos à procura de creches waldorf, o que para mim, naquela altura, era um mundo desconhecido. A minha mulher tinha uma ideia muito concreta (e genuina) da pedagogia Waldorf e o que encontrámos em Lisboa satisfez, de uma maneira geral, as expectativas da minha mulher, se bem que ela achou que aqui em Portugal há um fundamentalismo em quem gere as iniciativas Waldorf (e também em muitos pais) que não já existe na alemanha.
    Isto leva-me ao ponto que me levou a escever este comentário – há um erro comum em Portugal em relacionar pedagogia Waldorf com alimentação vegetariana, como o seu artigo faz. A única condicionante à alimentação é ser de origem biológica, de resto é uma alimentação perfeitamente normal e variada que, claro, incluí carne, peixe e vegetais!
    É uma pena que aqui em Portugal todas as escolas Waldorf sirvam apenas alimentação vegetariana, fazendo passar a ideia (errada) que ser Waldorf implica ser vegetariano. Errado!
    Penso que a razão de ser disto tem mais que ver com motivos económicos do que com ideológicos, pois como sabemos carne biológica é muito cara no nosso país…
    Um abraço e continuação de um excelente trabalho (que para ser franco só descobri depois de comprar a revista do Observador)