Aloha, uma história de amor para com a comida

Começamos a ver o mar ao fundo, emoldurado por uma pequena vila lá plantada, e percebemos porque razão a Constância e a família resolveram trocar Lisboa por este sítio. A calma que se sente no ar é interrompida pelo barulho das ondas e o sol, naquele que é o micro-clima de Sesimbra, faz parte de todos os dias.

Na avenida principal, mesmo em frente ao mar, debruça-se o Aloha Café. Aqui, a comida é pensada e feita com amor. Pensada pela Constância, que todos os dias por lá espalha sorrisos, e cozinhada pelo Tiago, o marido, que é o mestre da cozinha. Todos os ingredientes são naturais, locais e sazonais sempre que possível.

A esplanada tem uma vista desafogada e convida a longas horas de contemplação com direito a tudo o que existe de melhor. All day brunch, refeições simples e caseiras, pratos do dia feitos com carinho e opções sempre saudáveis. Até mesmo vegan e sugar free.

 

Lá dentro o ambiente é acolhedor, mesmo num dia de chuva e perdemos-nos ao tentar escolher uma das sobremesas sem açúcares refinados disposta no balcão. Há sempre chá do dia e sumo natural, mas têm outras variedades saborosas e com óptimas propriedades.

Mas o Aloha nao é apenas um espaço de refeições saudáveis. Foi sonhado por uma família, pensado ao pormenor e criado depois de uma proposta desafiante de uma escola local. É aqui que a Constância nos explica toda a história:

Como te apaixonaste por Sesimbra?

Apaixonei-me por Sesimbra há 5 anos atrás. Na altura estávamos à procura de casa fora de Lisboa, e queríamos muito viver no campo mas não muito longe do mar. Aqui encontrámos o melhor dos 2 mundos.

De onde vem esta preocupação pela alimentação saudável?

Sempre fui adepta de uma alimentação mais de origem vegetal, mas sem a levar muito a sério.Tudo mudou com uma recomendação de uma amiga que era estudante de macrobiótica, que na altura era nossa professora de surf. Começou com uma experiência, pequenas alterações nos meus hábitos alimentares, para verificar o efeito que tinham em mim e nas minhas crises sazonais de sinusite. Pelo simples facto de eliminar completamente os lacticínios, as crises desapareceram.Isto aliado à minha vontade de aprender mais sobre alimentação saudável levou-me ao IMP (Instituto Macrobiótico Portugal) e nunca mais parei.

O que vos levou ao Aloha?

O Aloha Café era um projecto antigo arrumado numa gaveta, à espera de oportunidade certa para se materializar. Quando viémos viver para Sesimbra, a nossa filha mais velha foi para uma Eco-escola local “Tom da Terra”. Na altura a escola não estava satisfeita com o serviço de catering que fornecia as refeições da escola. Em conversa com uma das mentoras do projecto, surgiu o convite de ser eu a preparar as refeições da escola. Tinha chegado a altura do Aloha sair da gaveta. Despedi-me do meu emprego e juntamente com o meu marido abrimos o Aloha Café. Ainda hoje as refeições dos meninos do “Tom da Terra” são feitas por nós.

Como são os dias quando se trabalha com a pessoa com quem dividimos a vida?

Cheios de amor. Também temos dias menos bons, dias quem a fé falta, dias em que colocamos tudo em causa. Mas um apoia o outro, e quando um está mais “em baixo” o outro levanta.  Somos uma boa equipa. Não imagino o Aloha sem o Tiago.

O que podemos encontrar no vosso espaço?

Opções de pequeno-almoço, brunch, almoço e snacks. Uma grande variedade de sobremesas vegan e sem açucares processados. Comida natural, caseira, vegetariana com uma grande influência da cozinha macrobiótica e feita com muito amor.

Como se desenvolve o vosso processo de criação de receitas? Pesquisam em conjunto? Cozinham os dois?

Não temos particularmente um método. O Tiago é mais criativo eu sou mais de pesquisa. Eu cozinho mais em casa, ele cozinha mais no Aloha. Mas falamos muito de comida. As cartas são criadas pelos dois.

E os produtos que utilizam no Aloha? Têm alguma preocupação com a sustentabilidade?

Sim, cada vez mais. E é assim que nos faz sentido. Compramos bio sempre que podemos, quando não é possível compramos local. Mudámos as nossas embalagens de take-away para embalagens biodegradáveis e à base de plantas. Não usamos palhinhas há anos. Mudámos as garrafas de água para garrafas de vidro. Ainda temos muito a fazer neste aspecto, mas pouco a pouco conseguimos a mudança.

Trouxeste esta forma de alimentação de casa ou levaste-a para casa? Fala-nos um bocadinho das vossas refeições enquanto família e como o fazes parecer tão natural com as vossas filhas.

Na verdade começou em casa. Esta já era a nossa alimentação antes de termos o Aloha Café. As nossas filhas sempre comeram assim, e na escola comem a comida que nós fazemos (porque é o Aloha que fornece as refeições da escola). Foram habituadas a este tipo de alimentação desde que iniciámos a diversificação alimentar. Em casa, quando não trazemos comida do Aloha, cozinhamos pratos mais simples. Temos sempre sopa e na nossa dispensa não faltam cereais e leguminosas secas. Geralmente aproveitamos os dias de folga para os cozinhados mais demorados e algumas preparações que depois nos facilitem a rotina.

Ficam por aqui? Ou há mais sonhos para concretizar?

Somos uns eternos sonhadores, portanto ainda há mais projectos para concretizar.

Que esta história seja um exemplo para quem precisa de um impulso para concretizar o sonho que há muito tempo tem na cabeça e sempre que forem até Sesimbra aproveitem para se deliciarem com o melhor que a natureza tem para vos oferecer.

Obrigada Constância e Tiago por cozinharem com tanto amor!

Aloha Café

Sesimbra

 

 

 

Escrito por: Joana

Joana. Casada com o João. Mãe do Sebastião. Mãe emprestada de uma Teckel, a Sushi, e de um gato rafeirão, o Tozé. Vive em frente ao mar e adora o campo. Quer alcançar o significado da palavra devagar. Viver devagar, saborear cada segundo e cada detalhe. Ler mais.

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