Crescer com animais

A nossa casa de cinco

Cá em casa somos cinco. Três pessoas e dois animais. Começámos por ser uma família de três quando ouvimos um gatinho bebé miar perdido no meio de dois prédios. Estava sozinho e ainda dei o benefício da dúvida de que a mãe podia ter saído para ir buscar comida. Durante dois dias vigiámo-lo para perceber se a mãe voltava. Nunca aconteceu e, por isso, dois dias depois levámos o Tózé para casa. Tem hoje cinco anos e não é muito sociável, mas de vez em quando dá um ar de sua graça. A nossa cadela foi planeada meses antes de casarmos por uma das minhas madrinhas. Já tinha uma da raça dela e como eu a adorava sondou-nos para perceber se queríamos assumir a responsabilidade. E assim, a Sushi passou a fazer parte da família. Está connosco há três anos e posso dizer que foi com ela que percebemos o que realmente é trazer um elemento externo para uma relação a dois. Foi ela que nos ensinou a responsabilidade de voltar a casa mesmo quando nos apetece ficar para jantar com amigos (porque tem de comer e ir à rua), ensinou-nos a ceder quando não apetece a um de nós ir passear à chuva e também a levantarmos-nos cedo ao fim de semana! Mas é a cadela mais querida e simpática, toda a gente a adora aqui na zona e parece que nos percebe sempre que falamos com ela.

Quando o Sebastião nasceu lemos muito acerca de como apresentar um bebé aos animais de estimação. Não queríamos começar com o pé errado e desejávamos uma transição suave e sem grandes percalços. Depois da primeira noite na maternidade, o João veio a casa e trouxe duas peças de roupa sujas do Sebastião para eles cheirarem e deixar o novo odor pela casa. Assim, quando o Sebastião chegou a casa o cheiro dele já não era completamente estranho e, com supervisão, deixámo-los cheirar o novo membro da família à vontade.

O Sebastião tem agora 17 meses e nunca aconteceu nenhum percalço. Tem uma adoração pelo Tózé que raramente o deixa aproximar-se, porque tem medo dos gestos bruscos dele. Mas todos os dias de manhã faz uma festa quando a Sushi o vai cumprimentar à cama. De vez em quando brincam os dois, ela anda atrás dele, ele anda atrás dela. Já lhe atira os brinquedos para ela ir buscar e faz-lhe festas quando ela está a dormir. De vez em quando também lhe dá uns “tau-tau” como ele diz, mas nada que a faça mexer-se do mesmo sítio. Quando ele a começa a chatear muito, levanta-se e vai dormir para outro lado.

A vantagem de ter um cão

Temos uma casa cheia e já não passamos sem a companhia deles. Existem diversas teorias óbvias pelas quais um animal de estimação pode melhorar o nosso estilo de vida – os cães promovem caminhadas, incentivam a vida social e deixam-nos felizes pelo amor incondicional que nos transmitem. Mas a grande verdade é o quanto eles contribuem para a nossa saúde ao trazerem o exterior para o interior. Sim, aquelas patas sujas no chão, nos tapetes e nos móveis e o mau cheiro valem mesmo a pena! Em toda essa sujidade existem milhões de micróbios que tornam a nossa vida limpa muito mais próxima do exterior.

Ter um cão influencia a nossa flora microbiana, pois promove a sua alteração e diversificação. Ter um cão que vai à rua e deixá-lo interagir com as crianças é benéfico para a saúde delas. Investigações epidemiológicas mostram que crianças expostas a cães no início da vida têm um menor risco de desenvolver asma e alergias. Segundo um artigo de 2013, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, a exposição a um cão durante a gravidez ou antes do primeiro ano de idade diminui o risco de se desenvolver eczema em 30%. O risco de asma é diminuído em cerca de 20%.

Mas afinal o que há de tão especial nos cães?

A Universidade da Califórnia estudou esta relação e analisou as diferentes amostras de pó em casas com e sem cães. As casas com cães apresentavam uma bactéria, a Lactobacillus johnsonnii, que quando exposta a ratos no laboratório faziam com que estes fossem menos propensos a desenvolver asma. Assim sendo os cães trazem da rua e transmitem bactérias que tornam os seres humanos menos susceptíveis a doenças imunitárias, o que implica que os cães transportam espécies probióticas benéficas para a saúde humana.

O que devemos fazer

Deixar o nosso cão brincar em segurança e interagir de perto com os nossos bebés e crianças pequenas. É uma boa ideia levar o cão ao veterinário imediatamente antes da chegada do bebé para nos certificarmos de que está tudo bem e ter sempre todas as desparasitações em dia. Deixar o cão lamber ou estar perto do bebé é provável que faça diminuir o risco de este desenvolver alergias e asma, com o benefício adicional de fornecer companheirismo e protecção e ensinar os nossos filhos a sentirem-se confortáveis perto de animais.

O que não devemos fazer

Considerar adoptar um cão apenas para diminuir o risco da criança desenvolver asma. Ter um animal de estimação dá muito trabalho e estes merecem ser cuidados por pessoas dedicadas, que lhes forneçam alimentos, cuidados veterinários e entretenimento. Se não puderem ter um em casa, exponham os vossos filhos a cães que conheçam e confiem.

 

Artigo baseado no livro “Deixe-os comer Terra”.

 

Escrito por: Joana

Joana. Casada com o João. Mãe do Sebastião. Mãe emprestada de uma Teckel, a Sushi, e de um gato rafeirão, o Tozé. Vive em frente ao mar e adora o campo. Quer alcançar o significado da palavra devagar. Viver devagar, saborear cada segundo e cada detalhe. Ler mais.

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