Uma casa com chão branco e portas gastas pelo tempo

Entramos e somos “engolidas” pela luz. É simplesmente arrebatadora. Reflecte nas paredes quase nuas, no chão de madeira corrida pintado de branco, nos tons neutros e suaves que vivem nesta casa. Esta é a casa da Catarina, do Miguel, da Leonor, do Xavier, do Sebastião e da Graça. Uma família numerosa, que traz ainda mais história a uma casa já de si com tanto para contar.

Conseguimos perceber pelos pormenores que quem idealizou esta casa sabia bem o que queria. A Catarina e o Miguel já são experientes quanto a renovações mas esta foi a que lhes deu mais luta, talvez por ter sido a casa mais degradada em que já pegaram, mas ninguém diria pela paz e coerência que transparece. É, no bom sentido da expressão, uma casa de revista, em que tudo foi pensado  e imaginado de forma a que uma família de 6 não estivesse sempre no meio do caos. Uma destas ideias é o armário gigante feito à medida do corredor que guarda tudo o que se usa no dia a dia. Roupa, utensílios, brinquedos, livros, todo um passado e presente organizado.

A cozinha e a sala são agora apenas uma divisão, com uma parede de janelas industriais que permite que a luz atravesse toda a divisão e que estejam sempre de olho nos mais novos, afinal a filha mais velha, Leonor tem apenas 9 anos. Assim, os finais de dia são sempre em conjunto, enquanto os miúdos brincam pela casa e os pais preparam o jantar.

O sofá tem uma traça mais antiga que combina perfeitamente com o desgaste das portas e janelas, mantidas no seu estilo original. Misturados com elementos mais contemporâneos formam o estilo eclético e minimalista desta casa maravilhosa que usufrui do sol o dia inteiro.

O quarto da Catarina e do Miguel é a antiga cozinha, onde criaram uma casa de banho de raíz e aproveitaram a zona da chaminé para arrumação de roupa. Simples, arejado, apenas com o essencial. Os quartos dos miúdos foram geridos por idades para facilitarem ainda mais a rotina de todos, têm espaço para brincar, são dignos de uma paleta de cores de catálogo.

Mas vamos deixar a Catarina falar sobre esta que é a casa de sonhos de ambos.

Porquê esta casa? Será esta a “tal”?

Esta casa foi “descoberta” numa altura em que não sentíamos necessidade de mudar.  Isto pode parecer estranho, mas foi mesmo assim. O sonho que tínhamos enquanto namorávamos era ter uma casa exactamente onde tínhamos e achámos que só a iríamos alcançar aos 50 anos. Os 26 trouxeram -nos A casa, que seria para a vida toda. 4 quartos, espaço, num sítio central, estável. A casa respirava estabilidade. Mas, como somos os dois malucos por ver casas, e encantados por casas de traça antiga –mesmo antiga- assim que pusemos os olhos nesta casa pensámos duas vezes. A casa tinha imenso charme, o preço ainda não era uma loucura, a zona continuava a ser a nossa, até mais tranquila. Havia tectos trabalhados, as pareces com molduras de gesso, o corredor tinha frescos…um sem fim de pequenos detalhes e histórias que nos faziam lembrar a nossa primeira casa. Não fiquei convencida com o primeiro andar que vi, tinha pouca luz. Subimos e, apesar de estar mais degradada, ficamos com ela. A LUZ era para mim o factor decisivo, já que vínhamos de um 1 andar onde só batia o sol de um lado (o menos usado). Não sabemos se será a tal. Sabemos que para já estamos apaixonados.

Com o vosso historial de mudanças, o que vos faz “sentir em casa”? 

Como vos contava, esta casa fez, de alguma forma, lembrar a nossa primeira casa. Era uma casa de família, muito antiga, com tectos trabalhados, um lambrim em madeira que torneava as ombreiras da porta da sala e das janelas. Uma casa com imenso charme e uma casa onde cresceu o Miguel. Por isso de grande valor sentimental. Nunca pensamos que um dia iríamos casa ali e ter a nossa primeira filha também. Esta nova casa, tinha inicialmente, alguns vestígios que nos faziam lembrar da “Casa de Santos” – como chamávamos a primeira casa. O chão em tábua corrida, os tectos altos. Casa é o meu – nosso-porto seguro, é onde somos família, onde nos sentimos em paz. Na verdade podemos ter isto em qualquer sítio do mundo, mas se for no nosso sofá, todos ao molhe e com cócegas à mistura é perfeito. Por já termos passado por várias mudanças de casa damos cada vez menos valor à casa em si, e mais a nós, e a estarmos juntos num espaço que nos transmita estabilidade. Esta tem tido esse papel de uma forma muito especial.

Como vivem a casa em família?

Esta é uma casa mesmo virada para a família: Tudo está à mão de todos. A cozinha é aberta e todos participam. Pôr a mesa é uma actividade que todos os meus filhos disputam. Preparar a fruta ou uma salada também já faz parte das tarefas dos mais velhos. Pensámos muito sobre isto. A decisão mais importante foi a de não termos uma mesa de sala de jantar rectangular para 8 pessoas ou mais. Iria ser um bloqueio na passagem para a cozinha e na verdade iríamos usar tão poucas vezes. Optámos por ter a nossa mesa da cozinha, redonda e mais pequenina, ao canto, junto à janela. Nos corredores os miúdos correm, jogam às escondidas e entram pelas salas, mas a cozinha é mesmo a alma da casa, assim como a sala de jantar, já que nos reunimos muito por lá e eles estão sempre com fome.

Como tomaste a decisão de partilha de quartos?

Foi muito fácil. Na verdade eles sempre dividiram quarto. Dormiram sempre juntos e seria a primeira vez que que os iríamos dividir. Portanto a verdadeira decisão foi na separação. Raparigas para um lado, rapazes para o outro? Ainda não. Cá em casa as decisões não são para a vida toda. Sabemos que estamos sempre a crescer e as necessidades a mudar, por isso vamos adaptando. Decidi que os mais velhos mereciam ter horários ligeiramente diferentes dos mais novos, e a oportunidade de apagar a luz mais tarde, um livro, uma conversa. O que for. Dividem a secretária para os trabalhos de casa e respeitam-se quando precisam de vestir e despir. Os mais novos são pequenos, e ficam sempre bem.

Qual o objecto(s) a que dás especial atenção cá em casa?

Há muitas coisas que adoro na nossa casa. O tapete da entrada talvez seja um deles: era da minha avó e tranquiliza-me vê-lo. O sofá é uma peça especial, foi comprado num leilão e mandado estofar, é modular e, por isso, quando me apetecer viro tudo ao contrário!

Tens um ritual só teu, no teu espaço, onde consigas encontrar alguma paz no meio dos teus dias sempre agitados?

Sim! Vir a casa a meio do dia sem ninguém e sentar-me no sofá a ler um bocadinho ou deitar-me no chão a olhar. Simplesmente a olhar e respirar.

 

Obrigada Catarina, por nos receberes de sorriso aberto no meio dessa casa cheia de luz!

 

Galeria completa e vídeo:

Escrito por: Francisca e Joana

Somos a Joana e a Francisca, alinhamo-nos na simplicidade das coisas e complementamo-nos nas diferenças do dia-a-dia. Queremos partilhar o que nos inspira e o que nos leva a ser mais felizes. Acreditamos que esta partilha tem também o poder de inspirar o mundo a fazer o mesmo. Ler mais.

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