Os pais portugueses são os mais felizes do mundo

Porque são os pais portugueses os mais felizes do mundo? Segundo uma equipa de investigação da universidade do Texas, somos mesmo. Examinaram o nível de liberdade que os pais têm em cada país e nós somos os que lideramos a lista, mesmo acima da Noruega, Suécia ou Dinamarca.

Mas porque razão temos nós mais liberdade do que os pais escandinavos, a zona onde vivem as pessoas mais felizes do mundo? Porque em Portugal os avós fazem de alicerces fundamentais aos pais e têm um papel fundamental na criação dos netos.

Segundo um estudo exaustivo que começou em 2005 e que tem acompanhado as rotinas de mais de 6 mil crianças e milhares de avós e pais, os avós portugueses desempenham um papel fulcral na vida quotidiana das famílias portuguesas e ajudam na rotina diária dos netos.

72% dos pais portugueses disseram que os avós eram os principais parceiros na criação dos filhos e ajudavam com os trabalhos da escola e actividades extra curriculares. Quando 6 adultos cooperam na rotina de uma criança, é normal que os pais tenham mais tempo livre e liberdade, o que resulta em pais mais felizes.

Por mim falo quando digo que os avós do Sebastião são super importantes na vida dele, mas também na nossa enquanto casal. Ter alguém que o vá buscar quando nos atrasamos numa reunião é tão importante quanto ter alguém para ficar com ele quando queremos ter tempo a dois. Desde cedo, sensivelmente desde que o Sebastião tinha 4 meses, que o habituámos a estar com os avós. Começou por umas horas (em que eu deixava leite materno porque ele ainda mamava exclusivamente), passou para algumas noites de vez em quando (para conseguirmos descansar mais do que 4h seguidas), depois um fim de semana em que estivemos por perto caso corresse mal (correu às mil maravilhas) e mais recentemente quando fomos ao Japão e ele ficou uma semana em casa de cada um dos avós. A verdade é que ele está tão ligado aos avós agora que não fica a chorar se nos vê sair e mesmo quando falamos com ele via vídeo-chamada está sempre a sorrir e a brincar. Os avós do meu filho fazem tão parte da vida dele como nós, pais. É muito importante um casal ter tempo a dois (como já falámos aqui) e é isto que eu e o João tentamos sempre que não caia no esquecimento- quem começou  esta família fomos nós e venham os filhos que vierem, no início escolhemos-nos um ao outro por alguma razão. Há que alimentar essa razão. Nós somos o pilar da nossa pequena família de três e, se o pilar falha, a família não está feliz. Outra vantagem é a felicidade dos avós em estarem com os netos e a relação diferente que os nossos filhos têm com eles. Há mais paciência, mais mimo e mais tolerância, o que só pode trazer coisas boas ao crescimento deles. Mesmo hoje em dia ele fica normalmente (apesar de não ser regra) uma noite por semana em casa dos avós, e que bem sabe essa liberdade para nós os dois. Acreditem que andamos muito mais felizes!

O livro Lykke, que é a base deste artigo, sugere os “avós emprestados” para os pais que infelizmente não têm a possibilidade de ter este apoio. Existem várias cidades na Dinamarca que criaram o “sistema dos avós emprestados”, em que os cidadãos seniores se oferecem para ser avós emprestados a uma família específica. Estamos a falar de pessoas que já não têm família e estão isoladas socialmente. Assim estes avós ajudam se as crianças estiverem doentes mas têm os benefícios de também estarem presentes nas festas e actividades da família. É uma relação win-win. Mais um par de mãos, uma experiência diferente e uma fonte adicional de paciência com que podem contar contra a redução do isolamento das gerações mais velhas. Quem sabe não conseguimos dar esse primeiro passo ao conhecer os nossos vizinhos?

Em jeito de conclusão :

“Num mundo perfeito, todos teríamos políticas familiares escandinavas e avós portugueses”

~

E desse lado? Qual o papel dos avós dos vossos filhos na vossa vida?

Escrito por: Joana

Joana. Casada com o João. Mãe do Sebastião. Mãe emprestada de uma Teckel, a Sushi, e de um gato rafeirão, o Tozé. Vive em frente ao mar e adora o campo. Quer alcançar o significado da palavra devagar. Viver devagar, saborear cada segundo e cada detalhe. Ler mais.

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  • Adorei ler, muitos parabéns pelo artigo, Joana! Não tenho filhos, mas os meus pais vivem em Portugal e eu na Suíça. Se um dia tivermos filhos, não vou ter essa possibilidade. Mas gosto da ideia dos “avós emprestados”!

    • Que bom Liliana 🙂

      Sim, é uma ideia inovadora e sem dúvida que ajuda imenso tanto os pais, como os idosos a não estarem tão sozinhos.

      Um grande beijinho