Uma casa cheia de vida e um piano na sala

Quando entramos neste prédio, no meio de Campo de Ourique, não adivinhamos o que vamos encontrar. Uma casa com divisões amplas e pé direito alto, que teve algumas obras funcionais e estéticas, mas que mantém as características originais e é enaltecida pela decoração e pelo bom gosto que a Filipa e a família lhe dão.

Logo que entramos no hall, vemos o corredor comprido, que vai da entrada até à cozinha, com portas que dão acesso às várias divisões da casa. Numa das pontas, fica o escritório, que a Filipa utiliza bastante, já que trabalha como freelancer e acaba por fazê-lo a partir de casa em alguns momentos. As paredes desta divisão enchem-se de cor com alguns desenhos dos três filhos.

Mesmo na sala ao lado, através de uma porta comunicante, vemos um dos ex-libris da casa: o grande piano de cauda que o Pedro, marido da Filipa, herdou do Avô.

Todas os espaços estão cheios de detalhes e objectos especiais, que transmitem a quem entra a alegria de uma casa vivida e cheia de histórias para contar. Com uma família grande e com várias origens, entre a Madeira e Aveiro, com Avôs que pintavam quadros e Pais que adoravam antiguidades, coleccionam inúmeros objectos que conseguem conjugar harmoniosamente, criando um ambiente original, acolhedor e cheio de vida.

Gostam muito de receber e a Filipa adora cozinhar. Talvez por isso, outra das coisas que guarda com muito carinho são os livros antigos de receitas de família, escritos à mão.

Há um silêncio calmo, coisa que deve ser rara no dia-a-dia desta família de cinco, com três filhos com idades entre os três e os sete anos. No entanto, ficamos com a sensação que é precisamente esta dinâmica que dá ainda mais vida ao espaço.

Nunca é possível ter a casa totalmente arrumada, conta-nos a Filipa, mas nós achamos que a graça está mesmo aí. Com três miúdos, muitos desenhos espalhados pela casa, quadros de família a encher as paredes e muitos objectos herdados, é no meio de alguma desordem que esta casa encontra a sua harmonia.

Um dos pormenores mais deliciosos da casa é uma porta pequenina, quase uma “passagem secreta”, que liga o quarto dos miúdos ao quarto dos pais e que foi das poucas coisas que fizeram quando se mudaram para esta casa. 

Como a casa é grande, facilmente, num estilo mais minimalista ou moderno, perderia o conforto. Por isso, os tons escolhidos para as paredes não são ao acaso. O verde escuro da sala de estar foi a terceira tentativa de pôr cor nestas paredes e parece funcionar na perfeição.

A conversa flui, entre histórias que alguns objectos contam e outras peripécias do dia-a-dia que a gestão de uma família de cinco implica. Ficávamos horas a falar, não fosse um compromisso profissional da Filipa. A Filipa é actualmente freelancer na área de recursos humanos e está a iniciar também o seu percurso como coach, que, como nos conta, é o que mais gosta de fazer. Depois dos filhos, encontrou nesta forma de trabalhar um maior equilíbrio entre a vida profissional e familiar, conseguindo gerir de uma forma mais tranquila as suas rotinas e horários.

Em família, têm o sonho de fazer uma grande viagem pelo mundo. Ainda não sabem como nem quando exactamente, mas nós cá estaremos a acompanhar esta família inspiradora nas suas aventuras!

Há quanto tempo estão nesta casa?

Há 4 anos. Mais precisamente desde 2 de Outubro de 2014.

A vossa família tem vindo a crescer e esta casa faz parte dessa evolução. Como sentes que foi sendo feita esta adaptação?

Quando entramos já éramos 4+1. O Baltazar já nasceu aqui, ainda que na verdade nenhum dos meus filhos tenha memória de outra casa (vivemos em 2 antes desta). Esta casa é uma casa para acolher, já o era na família anterior. A senhora que aqui vivia (por coincidência também meia madeirense), contava-nos que esta era uma casa sempre cheia de sobrinhos e amigos. Eu acho que se presta a isso precisamente pelo espaço. Foi a casa onde mais facilmente todos nos adaptamos. Dormimos aqui logo no próprio dia da mudança e sempre nos pareceu que esta casa já era nossa há muito tempo. Foi quase uma ausência de adaptação porque desde que entramos que já estávamos “em casa”.

Como definirias o estilo de decoração da vossa casa?

Essa pergunta é muito difícil. Acho mais fácil dizer o que considero que não é. Acho que não é “minimalista”. (Não que não goste do estilo mas não sou eu). Tenho “muita tralha”, muitos objectos antigos, 90% oferecidos quer pelo meu Pai, Mãe, Avó ou Sogra que adoram dar. A minha casa é mais clássica do que outra coisa, mas, a verdade é que quem cá vem diz que gosta da “mistura do antigo com o moderno”. Na verdade eu acho sempre que as casas, de alguma forma traduzem a “alma” de quem as foi construindo e nós somos de várias texturas. A minha casa é uma mistura de estilos. Não a acho óbvia.

Quando vieram para esta casa, já trouxeram muitos objectos e móveis convosco de família e que já tinham. Houve alguma coisa que tenham comprado depois porque fazia falta ou que achas que encaixa perfeitamente com o resto da decoração?

99% do que temos foi-nos dado. Infelizmente, quer o meu Pai, quer o meu Sogro já vivem no Céu e ambos gostavam muito de antiguidades, chegavam a encontrar-se por acaso no mesmo antiquário. O meu Pai deu-me muitos quadros (e obrigava-me a pôr na parede logo!) e era um programa nosso, ao Sábado, ir à feira da ladra, onde comprávamos sempre qualquer coisa. Sempre! O meu Pai era um ás a negociar e achava sempre que tinha feito o melhor negócio. Vinha orgulhoso! E feliz porque lhe dava verdadeiro gozo Dar. 

Quer eu, quer o Pedro herdámos este gosto por objectos antigos perdidos por aí. Foi um gosto gradual e na verdade, só depois dos nossos Pais morrerem é que nos apercebemos que afinal também gostávamos de ir aos antiquários e comprar objectos que falem. Este ano, nas nossas férias de Verão fomos a Sevilha e quando demos por nós estávamos dentro de um antiquário (com 5 metros quadrados!!), e acabámos por comprar um objecto para pôr na parede. Comprámos porque ambos gostámos e porque se encaixava perfeitamente na nossa casa. Já está no sítio!

Que objectos destacas na vossa casa? 

Não sei bem responder, mas talvez os quadros do Avô do Pedro. Porque foi ele mesmo que os pintou e porque mostram maioritariamente paisagens ou sítios na Madeira, de onde eu sou 50% e o Pedro 100%. Olhar para os quadros do Avô João dá serenidade à alma. E contam histórias..

Gostam de receber amigos e família em casa?

É o que mais gostamos. Adoro cozinhar, adoro receber. Mesmo. Recebemos muitas vezes e dá-nos verdadeiro gozo. Quem cá vem costuma sentir isso. É uma das coisas que mais gosto de fazer. Receber. Abrir as portas da nossa casa…!

Quais são, para ti, os maiores desafios para conciliar a vida profissional e familiar?

Os maiores desafios para mim são dois. O primeiro é conseguir estar 100% com eles. Às vezes estou com eles mas com a cabeça noutro sítio, a pensar nas mil e uma tarefas que tenho para fazer..! Ter tomado a decisão de ser freelancer foi o melhor que fiz, mas ainda assim às vezes a vida dum freelancer vira o caos com vários projectos a decorrer ao mesmo tempo. O outro desafio de conciliar a vida profissional e familiar é percebermos, nós mulheres, o que é que queremos (muito difícil!) e viver em coerência com isso, sabendo que não podemos ter tudo. Adoro o meu trabalho, mesmo. Mas é-me muito claro que eles estão sempre em primeiro lugar. Vivo de acordo com este princípio, ou pelo menos tento, na maior parte do tempo (falho tanto…).

Nos momentos em que estás em casa sozinha (imagino que não sejam muitos…), o que gostas de fazer?

No último ano lectivo se aconteceu 2 vezes foi muito. Foi um ano exigente. Sinceramente, o que mais gosto de fazer é ler, e de preferência adormecer a ler. Ou a ler ou a ver um filme. Mas isto é em sonhos porque lembro-me de ter acontecido uma única vez em que fiquei em casa, e porque estava meia adoentada… foi um ano cheio. Bom, mas cheio…

O que mais gostam de fazer em família?

Vamos com alguma frequência almoçar fora os 5. Gostamos muito e os miúdos também já dão valor e quando não vamos perguntam logo. Vamos a restaurantes diferentes e eles têm que comer/provar alguma coisa diferente, nem que seja do tamanho de um dedo mindinho! Para além da comida (que eu, infelizmente, adoro), o ir almoçar fora promove a conversa à mesa. A M.C. adora ajudar na cozinha. Os rapazes nem tanto…. Mas aos fins de semana sentamo-nos sempre os 5. É muito raro não acontecer.

Que países gostavam de visitar na vossa grande viagem em família?

Muitos. Brasil, Japão, Austrália, Argentina, Itália… mas a nossa viagem vai ficar congelada uns tempos. Acreditamos que Deus e o Universo nos vão dando algumas respostas, e ainda não foi este o ano onde daremos esse grande passo… em breve… continuamos a querer!

 

Podem ver aqui a galeria completa e o vídeo desta House Tour:

 

Saímos desta casa com vontade de voltar para experimentar as receitas de família, para contemplar melhor as obras de arte que vestem as paredes ou para ouvir aquele piano. Quando é assim, é porque fomos muito bem recebidas. Obrigada, Filipa!

Escrito por: Francisca e Joana

Somos a Joana e a Francisca, alinhamo-nos na simplicidade das coisas e complementamo-nos nas diferenças do dia-a-dia. Queremos partilhar o que nos inspira e o que nos leva a ser mais felizes. Acreditamos que esta partilha tem também o poder de inspirar o mundo a fazer o mesmo. Ler mais.

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