Grécia, uma odisseia em tons de azul

Tinha este sonho antigo de ir à Grécia, mais concretamente às ilhas gregas. Conhecia pouco mais além de Santorini e Mykonos, através de quem já lá tinha ido. Mas desengane-se quem pense que a Grécia são só estas ilhas. Muito ficou por conhecer – há todo um continente e inúmeras ilhas para explorar – mas é sem dúvida um país que vale a pena pela história, pela cultura, pelos sabores e pela natureza.

 

PLANEAR A VIAGEM

Quando ir

Agosto pode não ser propriamente a altura ideal para viajar; diria que Junho, Julho ou Setembro são meses melhores, mais calmos e com um clima igualmente bom. Mas no nosso caso, talvez também pelas ilhas escolhidas, correu tudo bem. Claro que havia pessoas em todo o lado, mas não demasiadas. Nunca estivemos em praias muito cheias e conseguimos fazer sempre tudo com bastante tranquilidade. Só marcámos voos e estadia, de resto íamos sempre fazendo tudo à medida do que nos apetecia.

Foi das primeiras vezes que viajei sem planear muito, sem um guia na mochila, sem mapas nem coisas marcadas (além do óbvio – voo e estadia, por ser Agosto e por irmos com um miúdo de 2 anos + uma barriga de 8 meses).

Não tivemos problemas para comprar os bilhetes de barco ou alugar carro, embora nos tenham dito que era uma altura bastante concorrida e por isso os preços estavam um pouco inflacionados.

O tempo esteve sempre óptimo, nunca precisámos de casaco mas também não esteve demasiado calor. As temperaturas andavam entre os 25º (mesmo à noite) e os 30ºC. Algum vento (que acho que é típico nestas ilhas em Agosto), mas que até sabia bem.

 

 

Itinerário

Queríamos um destino fácil para crianças, mas também a possibilidade de explorar vários sítios, que somos pouco de ficar ‘de papo para o ar’. Resumindo e baralhando, depois de alguma pesquisa, escolhemos três ilhas – Naxos, Folegandros e Paros – e um pit stop de duas noites em Atenas, no final da viagem.

Estas ilhas situam-se a sudeste de Atenas, no mar Egeu, e fazem parte das Cíclades – grupo ao qual também pertencem Mykonos e Santorini. Há imensas combinações que podem ser feitas entre ilhas que ficam relativamente perto umas das outras, dependendo do que se está à procura e do tempo disponível. Chegámos a ver outras hipóteses – Creta ou Kefalonia, Milos e Amorgos – mas não nos arrependemos da escolha e esperamos que haja mais oportunidades para explorar outras ilhas.

Optámos por voar para a primeira ilha –  no nosso caso, Naxos – e fazer a conexão entre ilhas de barco. Ficámos quatro noites em Naxos, cinco em Folegandros e mais quatro em Paros, de onde voámos novamente para Atenas.

 

 

Voos

Marcámos o voo de ida e volta para Atenas com uma antecedência de quatro meses e ficou cerca de 1400 euros para os três, no total. Normalmente pesquisamos num motor de busca (momondo, por exemplo) a opção mais vantajosa em termos de preço/duração da viagem/conveniência dos horários. Acabámos por ir através da Lufthansa, via Munique na ida e via Zurique na volta (Swiss/TAP).  A escolha do voo teve a ver com o preço e com o facto de podermos usar milhas que tínhamos. Apesar das escalas, acabou por ser uma viagem bastante tranquila porque ficou dividida a meio. Os voos nunca foram muito longos (2h50 máximo), o que acho que facilitou com o Lourenço – o facto de podermos sair do avião, mudar de ares, esticar as pernas. Foi a primeira vez que ele andou de avião e adorou tudo, portou-se lindamente e dormiu sempre num dos voos (no segundo à ida e no primeiro à volta, que coincidiam mais ou menos com a hora da sesta dele).

Os voos internos (Atenas-Naxos e Paros-Atenas) marcámos só um mês antes de ir e custaram cerca de 500 euros para os três, no total. Voámos pela Olympic na ida e pela Sky Express na volta. Fazer estas viagens de barco é uma opção mais em conta, mas que demora mais tempo. No nosso caso, achámos que compensava claramente voar por ser mais confortável e mais rápido (25 minutos de voo para cada lado vs 5 /6 horas de barco), sobretudo na nossa situação, com uma criança de dois anos.

A partir dos dois anos, as crianças têm obrigatoriamente lugar sentado no avião e pagam pelo menos uma parte do bilhete (varia com as companhias).

Em relação à gravidez, pode-se voar desde que esteja tudo bem e se tenha autorização do médico. O limite de semanas varia também conforme a companhia (normalmente até às 36 semanas numa gravidez normal), por isso o melhor é consultar as condições de cada uma e levar sempre o papel com a autorização do médico, que deve atestar que a gravidez está a decorrer sem complicações, a data prevista do parto e que a gravidez não é impeditiva de voar.

 

avião

 

Sítios para ficar

Quando planeámos a viagem e marcámos o voo, ainda não sabíamos que eu estava grávida. Entre marcar o voo e a estadia passou-se algum tempo e como esta é naturalmente uma época mais concorrida, já não havia muitas opções disponíveis. No entanto, tivemos bastante sorte com os sítios que marcámos e onde ficámos. Variámos entre hotel, apartamentos e villas (uma espécie de bed&breakfast familiar, com poucos quartos mas muito acolhedores e tranquilos). Marcámos tudo através do booking.

Em Naxos e Paros, como são ilhas maiores, há muitas opções de sítios para ficar. Em Naxos ficámos na zona de Agios Prokopios e gostámos muito, movimentado qb e com alguns restaurantes, fica a 15 minutos de autocarro da Chora, o ‘centro’ principal da ilha. As zonas mais para sul também me pareceram interessantes para ficar, mais afastadas do ‘centro’ mas mais tranquilas (Maragas, Plaka, Mikri Vigla).

Em Paros ficámos no sul, em Aliki, uma vila calma mas com vários restaurantes e praia. Existem imensas opções à volta de toda a ilha para ficar. Naoussa, no norte, pode ser uma boa opção, porque tem várias praias boas por perto e é uma vila com muito charme, cheia de vida e sítios giros.

Em Folegandros tivemos alguma dificuldade e já estava tudo muito cheio, por isso tivemos de mudar de sítio a meio da estadia, mas recomendo os apartamentos onde ficámos primeiro, mesmo no centro (Chora), com piscina, super confortáveis e bem equipados. Mesmo ao lado, ficavam os Anemomilos Apartments, um upgrade com mais charme e pinta. Para uma coisa mais exclusiva e especial, o Anemi parece de sonho.

 

para ficar

 

Barcos e carro

Comprámos os bilhetes de barco de umas ilhas para as outras só quando chegámos a cada sítio, sem qualquer problema. Nestas alturas do ano há barcos a ligar estas ilhas todos os dias e a várias horas. Uns levam carros, outros não, e o preço varia conforme a companhia, o tipo de barco e o trajecto/tempo que demora. Há vários sites onde dá para consultar os horários e até comprar os bilhetes, mas cheguei à conclusão, já lá, que nem todos os barcos aparecem aqui, por isso a melhor opção para nós foi, sem dúvida, comprar só lá.

Alugámos carro nas três ilhas e também só depois de lá estarmos. Em Naxos e Folegandros só alugámos por um dia e em Paros alugámos por três. Os preços dos carros, por dia, andaram sempre à volta dos 45/50 euros e incluíam a cadeira para o Lourenço.

 

 

Viajar em família

Sentimo-nos sempre bem e seguros, o que conta muito quando viajamos com crianças pequenas e, no meu caso, grávida de 30-32 semanas. É um sítio muito fácil para viajar, não há grandes diferenças culturais, a comida é óptima e variada, e os gregos adoram crianças. Foram sempre atenciosos connosco, em todos os sítios onde ficámos havia camas de viagem/berços, cadeiras para o carro e cadeiras de criança em quase todos os restaurantes.

Há ilhas onde não há grandes infra-estruturas nem apoio médico, se for necessário, mas também estão sempre a uma distância relativamente curta de algum sítio que tenha. De qualquer forma, convém viajar sempre com algum tipo de seguro (às vezes já incluído quando se compra a viagem, se não costumamos fazer este que é óptimo) e, dentro da Europa, levar sempre o cartão europeu de saúde (é gratuito e pede-se no site da segurança social).

 

 

Está quase a fazer duas semanas desde que voltámos da Grécia e eu já tenho uma certa nostalgia destas férias que foram, sem dúvida, as melhores férias a três (quase quatro!), das quais guardamos as melhores memórias. Para quem foi acompanhando a viagem por aqui, acho que deu para perceber que foram duas semanas em cheio – muita praia, sítios lindos, comida óptima, paisagens bonitas.

Trouxemos a pele salgada e dourada pelo sol; mergulhos em águas cristalinas com tons incríveis a uma temperatura ideal; muitos momentos só nossos, sempre juntos, para recordar; longas sestas e muito mimo; pores do sol incríveis e jantares debaixo das estrelas; muito branco e buganvílias; vilas bonitas, restaurantes cheios de charme, comida deliciosa e um desejo: o de voltar um dia às ilhas gregas e a este mar, onde fomos tão felizes!

Podem sempre rever mais algumas imagens da viagem através do hashtag #anossaodisseiagrega no instagram e não percam, ao longo das próximas semanas, os artigos mais detalhados sobre cada uma das ilhas.

Escrito por: Francisca

Alfacinha e fã assumida da sua cidade. Nasceu e cresceu em Lisboa e embora adore sair e viajar, gosta sempre de voltar. Gosta de dias de sol, flores campestres, coisas imperfeitas e mergulhos no mar. Ler mais.

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