Como preparar o filho mais velho para a chegada de um irmão?

Como preparar uma criança para a chegada de um irmão? É algo que não me preocupa demasiado, mas é natural que já tenha pensado como vai ser a reacção do Lourenço à chegada de uma irmã. Até agora temos agido de forma muito natural, contámos-lhe assim que descobrimos e até foi ele que ‘escolheu’ o nome (por acaso já constava na nossa lista e sempre gostei, mas o facto de ele lhe chamar um nome desde o início também pesou na decisão!). Sabe que está na barriga da mãe, diz ‘olá mana’, dá beijinhos e de vez em quando diz que isto ou aquilo é da mana (outras vezes, é tudo dele).

sessão familia

sessão família

É engraçado, mas não sei até que ponto aquela cabecinha já consegue mesmo perceber o que aí vem. Na escola dizem que é muito atento e preocupado com os mais novos, ajuda-os sempre e gosta de ‘tomar conta’ deles. À nossa volta (Avós, etc.), dizem que ele vai ‘sofrer’ com a chegada, com o deixar de ser o ‘centro das atenções’. Acredito que sim, e que será um misto disto tudo. Terá obviamente de ter uma reacção, que por vezes, acredito, será de preocupação e cuidado com a bebé, outras, será de reclamar alguma atenção ‘perdida’.

Não sabemos ao certo o que aí vem, só espero conseguir lidar com tudo da forma mais natural, instintiva e saudável possível. Mas quando vi este artigo, despertou-me um enorme interesse.

sessão família

Vem aí um bebé. E agora? Como preparar o irmão?

É certo que é uma grande mudança na vida familiar e que o nascimento de um bebé implica, naturalmente, uma diminuição da atenção ao filho mais velho. Mas é fundamental que este último continue a receber atenção e afeto. Segundo a psicóloga Cláudia Madeira Pereira, é possível preparar de forma positiva a chegada de um novo bebé para que a respetiva adaptação seja serena, feliz e tranquila. Descomplicar é a palavra de ordem.

Constança Cordeiro Ferreira, do Centro do Bebé, defende que não devemos dizer à criança “agora já és crescido” só porque tem um irmão. As crianças não crescem de repente só porque lhes nasceu um irmão. Muitas vezes continuam a ser pequeninos e é completamente desajustado dizerem­‑lhes “agora tu é que vais cuidar do/a mano/a” ou perguntarem­‑lhes se vão dar banho ou mudar fraldas, porque obviamente não vão. Seria muito mais importante reforçar­‑se que a criança continua a ter a sua identidade, continuará a ser cuidada e a ter direito a ser pequena, embora seja a/o irmã/irmão mais velha/o.

É muito importante que os pais se esforcem para que cada filho tenha um lugar especial na família e fomentem uma relação harmoniosa entre os irmãos, baseada em sentimentos positivos. Quando isto acontece, aumenta a probabilidade de as crianças se tornarem adolescentes e adultos mais saudáveis do ponto de vista psicológico e emocional”, explica a psicóloga clínica Cláudia Madeira Pereira.

Por mais que queiramos, é preciso aceitar que não vai ser possível fazer tudo como fazíamos antes: não vai ser possível estarmos cem por cento disponíveis para o filho mais velho pela simples razão de que agora temos um recém­‑nascido que precisa de nós. Constança Cordeiro Ferreira explica que é pedagógico explicar aos mais velhos que os bebés quando nascem precisam muito de colo, de mamar e de estar ao pé das mães. No entanto, é igualmente importante reforçar que os mais velhos têm sempre lugar no colo da mãe quando precisam. É que o colo dos pais não acaba, haja um, dois, três ou mais filhos.

 

Dicas práticas para que a chegada de um irmão seja vivida de forma positiva

  1. Conversar com a criança sobre a situação e sobre as mudanças que vão ocorrer nas rotinas para que ela possa ser preparada para essas alterações, assimilando os acontecimentos e colocando as suas questões para melhor lidar com a situação.
  2. Envolver a criança nos preparativos e incentivá­‑la a participar na chegada do irmão, nomeadamente na escolha do nome, na decoração do quarto, entre outros, valorizando sempre a sua opinião.
  3. Depois do nascimento do bebé, é importante integrar a criança na troca de afetos e na prestação de cuidados ao irmão recém­‑nascido. Deixá­‑la participar e ajudar a tratar do irmão bebé vai permitir à criança sentir­‑se útil e importante no seu papel de irmão mais velho, o que pode ajudar a reforçar a sua autoestima.
  4. Envolver a criança nos cuidados não significa delegar para si a responsabilidade de cuidar. É importante retirar essa pressão que apenas contribui para gerar medos desnecessários.
  5. Antes e depois do nascimento do irmão, é fundamental que os pais demonstrem à criança que o seu amor por ela não se perdeu nem vai diminuir, de forma a transmitir­-lhe confiança e evitar criar­‑lhe algum tipo de ansiedade.
  6. Importa manter o mais possível as atividades que já tinham com a criança e passarem também momentos a sós com ela.

 

E por aí, como prepararam a chegada de um novo irmão? Foi tranquilo ou desafiante? Qual a diferença de idades? Como adaptaram as novas rotinas?

Este é um tema que me ‘assusta’ um bocadinho, confesso. Quando tiver ajuda, tudo bem, será mais fácil. Mas quando o Pai for trabalhar, como faço sozinha com os dois de manhã e à noite? Vestir, pequeno-almoço, banhos, jantar, deitar? Algumas dicas preciosas por aí serão muito bem-vindas 🙂

 

Artigo de 17 de maio de 2018, na Notícias Magazine
Fotografias da sessão maravilhosa com a nossa querida Joana.

Escrito por: Francisca

Alfacinha e fã assumida da sua cidade. Nasceu e cresceu em Lisboa e embora adore sair e viajar, gosta sempre de voltar. Gosta de dias de sol, flores campestres, coisas imperfeitas e mergulhos no mar. Ler mais.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *