Tóquio, o caos organizado

Tóquio. A cidade onde vivem 40 milhões de pessoas. Onde se movimentam, trabalham, dormem, comem. Há sempre filas para comer. Assim como para as escadas rolantes, para os transportes que saem de 2 em 2 minutos, para as passadeiras de peões, para entrar e sair da cidade. Tóquio tem uma energia que não dorme. Não abranda. Misturamo-nos no meio da multidão e temos de seguir o ritmo. Parar significa quase sermos atropelados ou perdermos a hipótese de atravessar a rua.

Chegamos no dia 24 de Julho. 38º. Humidade a 65%. A sensação era de nos movimentarmos numa sauna gigante. O barulho das cigarras quase ensurdecedor, mesmo no centro da cidade. Existe imensa natureza numa das capitais mais povoadas do mundo. Parques, avenidas e ruas cheias de árvores, terraços de edifícios com jardins, todos os recantos são aproveitados para mais um bocadinho de verde.

O ritmo é alucinante, apetece ver tudo, caminhar pela cidade toda, não parar um segundo. Existe um compasso próprio de quem lá vive e trabalha, somos contagiados por ele. A organização é a chave de tudo. Milhares de carros e pessoas e apenas se ouve o barulho dos insectos que habitam nas árvores. Não existem buzinadelas, as pessoas não falam alto, os telemóveis estão permanentemente no silêncio. É o caos mais organizado que já vi na minha vida. Existem filas para tudo, todos esperam pacientemente, ninguém se revolta, fala mais alto ou responde agressivamente. Chega a ser estranho, com se todos se guiassem pelo mesmo fio condutor.

As ruas estão sempre limpas, não existe lixo no chão, os caixotes são raros (o que é estranho) e estão sempre limpos, quem passeia os cães não deixa “presentes” no chão e limpam com desinfectante mesmo quando é apenas chichi (algo que nunca vi noutro sítio qualquer). Tudo está perfeitamente arranjado, relva cortada, flores bem cuidadas, como se fosse um retrato pintando com extrema delicadeza.

Não existe quase nada em inglês, mas os transportes são muito fáceis de perceber e nos menus do restaurante existem sempre imagens. Não vale a pena tentar falar inglês com ninguém, mesmo com os mais jovens, não sabem uma palavra. Continuam a falar connosco em japonês meio perdidos e apontar para lado nenhum. Mesmo nos hotéis foi complicado para percebê-los. Apenas no último onde ficámos o staff falava lindamente.

O que visitámos nos 4 dias em Tóquio:

Templo Meiji – imperdível (aproveitem para passear pela floresta que o rodeia)

Shibuya – toda uma zona comercial, de restaurantes, transportes e as típicas lojas onde jogam para ganhar peluches

Bairro Tomygaia – visitámos a loja da Monocle e a Shibuya Publishing and BookSellers

Palácio Imperial – jardins lindíssimos a perder de vista

Tsukiji Market – mercado do peixe, vale a pena ir cedo e comer sushi ao pequeno-almoço (uma experiência inesquecível e a melhor sopa miso de sempre!)

Parque Shinjuku Gyoen – um parque gigante com vários tipos de flores e vegetação

Museu Nacional – muito interessante toda a história cultural e muitos samurais!

 

 

 

Onde comemos:

Afuri – Ramen (o melhor que já comi)

Sushi-no-Midori – Sushi

Jomon – Espetadas grelhadas (ambiente fantástico)

Daiwa-Sushi – No mercado (para o pequeno almoço de sushi)

Nagi – Noodles

 

Onde dormimos:

Hotel Okura

Park Hyatt (foi a extravagância da viagem, mas adoramos o filme “Lost in Translation” e não quisemos perder a oportunidade de lá ficar)

Foi uma cidade que visitámos sem pressa. Sentámo-nos muitas vezes à sombra das árvores nos parques, para recuperar do calor e aproveitar o momento. Fomos num registo mais descontraído, afinal foram as primeiras férias a dois um ano depois do Sebastião nascer. Caminhámos pela cidade ao sabor do calor, do apetite e das recordações que queríamos guardar.

 

Na próxima semana partilho a nossa aventura por Kyoto, os templos perdidos nas montanhas.

 

 

 

 

Escrito por: Joana

Joana. Casada com o João. Mãe do Sebastião. Mãe emprestada de uma Teckel, a Sushi, e de um gato rafeirão, o Tozé. Vive em frente ao mar e adora o campo. Quer alcançar o significado da palavra devagar. Viver devagar, saborear cada segundo e cada detalhe. Ler mais.

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