Carpe diem, a liberdade para escolher

carpe diem

De acordo com o filósofo australiano Roman Krznaric, Carpe Diem – literalmente ‘aproveitar o dia’ – é uma filosofia de vida que tem a ver com fazer escolhas e agir sem pensar demasiado em tudo o que fazemos. 

Carpe diem refere-se à liberdade, à autonomia, que temos para criar o nosso próprio “guião”. Mas também se refere à morte, ao tempo a passar. Carpe diem tem, por isso, a ver com fazermos algo da nossa vida sem desperdiçar tempo valioso, usar a nossa liberdade sabendo que a vida é curta e pode acabar a qualquer momento. 

Escolho, logo existo

É então que surge também a pertinente questão: numa sociedade que vive a correr contra o tempo, em que planeamos as nossas vidas ao detalhe e a agenda está sempre cheia, em que a tecnologia e as redes não nos deixam desligar, seremos mesmo livres?

Segundo o autor, a arte do carpe diem, aproveitar as oportunidades e fazer as coisas mais espontaneamente, está a desaparecer. Por isso há este sentimento tão forte de recuperar a liberdade. Podemos escolher o que de facto é importante para nós e assumir o compromisso dessa escolha. Não importa o que escolhemos, importa que escolhemos e não deixamos a vida simplesmente passar por nós. 

As decisões erradas fazem parte da nossa existência

Nem sempre as nossas escolhas provarão ser as mais acertadas. Por isso podemos voltar atrás, começar de novo, corrigir a rota – nada será irremediável. O que não interessa é ficarmos presos a algo com medo das consequências das nossas escolhas, paralisados com medo de arriscar. Amanhã não sabemos onde estamos. Vale pouco fazer muitos planos a longo prazo, imaginar que tudo será como delineámos.

Roman dá o exemplo de Steve Jobs que, na sua TED Talk “How to live before you die” diz que nos últimos 33 anos, olhou todos os dias para o espelho de manhã e perguntou a si mesmo ‘Se hoje fosse o último dia da minha vida, quereria fazer o que vou fazer hoje?’. Ele não diz ‘vive como se só tivesses 24 horas de vida e faz o que te apetecer’, mas o que ele de facto quer dizer é que devemos fazer estas questões e pausas existenciais para verificar se estamos a viver de acordo com os nossos valores. Isto contribui para que consigamos fazer escolhas também mais conscientes.

Agir primeiro, pensar depois

Uma das regras do carpe diem é ‘agir primeiro, pensar depois’. Segundo o autor, temos tendência para adiar escolhas importantes na nossa vida porque estamos sempre demasiado ocupados. Tipicamente, é-nos ensinado que devemos pensar bem antes de agir, ponderar todas as opções, ver prós e contras, antes de tomar uma decisão. No entanto, o autor defende que isto pode não nos levar ao melhor resultado e que a melhor maneira é mesmo parar de pensar demasiado sobre as coisas e agir. Arriscar, experimentar e testar o que funciona para nós ou não.

Como podemos integrar uma atitude mais ‘carpe diem’ no nosso dia-a-dia?

Tenho tentado viver mais com esta filosofia presente. Em pequenas coisas, é certo. Mas tentar fazer menos planos, escolher espontaneamente e aceitar a imprevisibilidade da vida como um dos seus ingredientes mais entusiasmantes.

Desenvolver a nossa espontaneidade é uma das coisas que podemos fazer. Quando foi a última vez que fizeram alguma coisa sem olhar para a agenda primeiro?

Uma forma de desenvolver a espontaneidade é planear esse tempo. Pode parecer contraditório, mas é tão simples como ‘bloquear’ um horário na agenda (por exemplo, domingo à tarde) para sermos espontâneos. Não fazer planos para esse horário e simplesmente quando chegar, pensarmos ‘o que me apetece fazer?’ ou perguntarmos ao nosso marido, amigos ou filhos ‘o que vos apetece fazer agora?’

 

Carpe Diem – questões para ajudar à reflexão

Se hoje decidisse ‘viver como se não houvesse amanhã’, o que faria?

O que me está a impedir de fazer o que quero fazer hoje? Existem coisas que preciso de me libertar para poder seguir em frente?

Qual é o primeiro passo que posso dar?

Se desse esse passo hoje, como é que me sentiria?

 

Artigo escrito com base no artigo ‘Carpe Diem’ da revista Flow, issue 23

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Escrito por: Francisca

Alfacinha e fã assumida da sua cidade. Nasceu e cresceu em Lisboa e embora adore sair e viajar, gosta sempre de voltar. Gosta de dias de sol, flores campestres, coisas imperfeitas e mergulhos no mar. Ler mais.

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