Alimentação Consciente

Temos de fazer as pazes com a comida. Sentarmo-mos à mesa com tempo, de televisão desligada e com o telefone longe do nosso alcance, para voltarmos a apreciar os alimentos que temos no prato. Libertarmo-nos de crenças antigas, do estigma negativo que demos durante anos a certos alimentos, de fazer as pazes com o nosso corpo. A isto chamamos mindful eating. Não é nada mais do que uma experiência entre o nosso corpo e o que pomos no prato. 

Segundo a Nutricionista Ana Rita Lopes “é preciso retomar o hábito de cozinhar, dedicar algum tempo à preparação das refeições e interiorizar que os bons alimentos são fonte de saúde. É na alimentação que encontramos os nutrientes que são fundamentais ao bom funcionamento do nosso organismo. Sem eles não sobrevivemos. Devemos fazer uma seleção criteriosa dos alimentos que incluímos no nosso dia a da dia e preferir os mais ricos nutricionalmente. Nunca esquecer que a fruta e os legumes, que tantas vezes negligenciamos, devem ser parte integrante da nossa alimentação diária. Nunca esquecer a hidratação, da qual só nos lembramos, muitas vezes, quando temos sede. Ela é essencial para a nossa saúde”

A base desta teoria é a de que todos os alimentos são energia, devemos respeitá-los como tal, devemos respeitar-nos como somos, igualmente. Privilegiar os alimentos que provêm da terra, sem rótulos, aditivos ou outro tipo de processamento. Incluir mais vegetais nas nossas refeições, dar mais espaço à fruta e aos legumes. Comprar nos mercados locais, nas praças municipais, no pequeno comércio e aos pequenos produtores. Saber de onde vêm a carne, o peixe e os vegetais. A história da sua colheita e do seu transporte até nossa casa. Dar mais importância ao que é da época, sazonal, ter em consideração os ritmos da natureza. Porque a natureza é sábia e dá-nos os alimentos certos na altura certa do ano. Os citrinos no inverno para maior aporte de vitamina C, as leguminosas no outono para o equilíbrio da nossa saúde física e mental. 

Deixarmos as dietas restritivas de lado, abandonar palavras como “tenho de comer isto”, “não posso comer aquilo”. Perceber o que nos oferece mais energia, o que o nosso corpo melhor tolera e também o que mais lhe retira energia e o deixa doente. 

Decidi, há alguns anos, perceber o que respeitava mais a minha saúde. Comecei a ouvir o meu corpo e a privilegiar alimentos mais simples, comprados em mercados pequenos, na maioria biológicos. Uma forma de facilitar este processo foi o de me comprometer em receber um cabaz biológico em casa todas as semanas. Quando chego a casa tenho uma caixa de madeira repleta de vegetais e fruta da época que me deixa feliz e cheia de ideias para novas receitas. Deixei de me pesar, de tratar este ou aquele alimento de forma negativa. Respeito o meu apetite, os meus desejos e a minha relação com a comida. Se me começo a sentir mais em baixo, adoentada ou com falta de energia, sei que ando a abusar em comida processada ou alimentos mais calóricos. Facilmente mudo o “chip” e apercebo-me do quanto tinha saudades de uma salada, de uma sopa ou de mais fruta ao longo do dia.

A chave é saber encontrar o equilíbrio no que pomos na mesa, assim como na vida. 

 

 

*Este artigo foi escrito em parceria com a Nutricionista Ana Rita Lopes, da Unidade de Nutrição do Hospital dos Lusíadas Lisboa.

Photo by Lauren Mancke on Unsplash

Escrito por: Joana

Joana. Casada com o João. Mãe do Sebastião. Mãe emprestada de uma Teckel, a Sushi, e de um gato rafeirão, o Tozé. Vive em frente ao mar e adora o campo. Quer alcançar o significado da palavra devagar. Viver devagar, saborear cada segundo e cada detalhe. Ler mais.

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