Uma casa com janelas para o céu e uma salamandra na sala

Assim que entramos somos invadidos pelo aroma da lenha e pelo aconchego do calor. Chove lá fora e a pequena Ema explora as pinhas que estão dentro de um cesto no ponto central da casa – a sala com a salamandra acesa desde manhã.

A Joana, o Nuno e a Ema mudaram-se para cá há poucos anos mas conseguem transmitir a sensação de que vivem aqui desde sempre. Descontração é o essencial num apartamento com dois andares e um terraço com vista para o parque de Monsanto. Terraço esse muito aproveitado para petiscos de verão e que através das suas janelas envidraçadas permite a constante entrada de luz o ano inteiro.

A Joana tem um estilo eclético, podemos perceber isso através da cozinha mais rústica, do quarto minimalista e de alguns móveis estilo retro. A combinação entre estes elementos cria uma harmonia perfeita para receber amigos e família, para viver a casa no seu todo e que nos apaixona à primeira vista.

A salamandra foi um presente de boas vindas e é da JØtul, uma peça não muito comum em apartamentos portugueses, mas que faz toda a diferença, sobretudo em dias em que só apetece ficar dentro de portas.

As molduras são da June e transparecem bons momentos guardados ao longo do tempo. O candeeiro de cobre e cimento é da Mylla, um toque de bom gosto que capta o olhar e cria uma atmosfera perfeita para noites de jogos de tabuleiro, como a Joana nos conta:

O que consideras essencial para um ambiente feliz?

Pessoas. Acho que acima de tudo o ambiente feliz é feito pelas pessoas. A casa deve servir as pessoas e não ao contrário. Por exemplo, cá em casa damos muita prioridade aos momentos juntos, muitas vezes descurando a lida da casa.

Luz. Uma casa cheia de luz natural. Nesta casa tenho o privilégio de ter janelas para o céu que me permitem ter luz o dia inteiro e, às vezes, até luz nas noites de luar intenso.

Descontração. Ambiente descontraído e vivido.

Simplicidade. Em termos de ambiente feliz, para mim menos acaba por ser mais. Casas brancas, com poucos móveis para que haja a sensação de espaço e leveza.

Achas que a casa deve ser o espelho da personalidade de quem lá vive?

Não diria personalidade, até porque numa casa coabitam diferentes pessoas com diferentes personalidades. Ia um pouco mais longe e diria que a nossa casa reflecte/contém um pouco da nossa essência, isto é, os nossos gostos e preferências; as nossas vivências/experiências recordações de diferentes fases das nossas vidas, recordações de outras latitudes/lugares; e das nossas pessoas, não só em termos dos nossos gostos que se formaram também com base naquilo que absorvemos com a nossa família, mas também sobre a forma de objectos passados de geração em geração.

Qual o objecto a que dás mais destaque?

Tenho vários objectos que adoro! A salamandra é uma das peças que mais gosto por ter sido muito desejada e também por ter sido uma prenda de boas-vindas para a casa nova. Tenho também pequenos objectos com história que fui incluindo na decoração da casa e que me são muito especiais, como os frascos da cozinha que são da casa onde nasci, a máquina fotográfica do meu avô materno ou a pasta de trabalho do meu avô paterno, entre muitos outros tesouros que não só me lembram pessoas muito especiais, como momentos da minha vida… espalhados pelos mais diversos recantos da casa.

Que significado a expressão slow living tem para vocês? E de que forma o vivem?

Para mim o slow living está relacionado com o aproveitarmos cada dia, tentado contrariar a correria que a rotina diária nos impõe.

Cá em casa temos alguns rituais que acho que podem enquadrar esta categoria, um deles é o pequeno-almoço em família. Decidimos começar o dia devagar e cheio de coisas boas! Inclusivamente, eliminámos as cápsulas do café e voltámos ao café em grão moído no momento, o leite vigor e sua espuma maravilhosa, e os pães bons que vamos variando. Um ritual saboroso para ajudar a começar o dia com calma.

Outro ritual, são os passeios ao ar livre antes do regresso a casa. Nem que seja para ir à mercearia do bairro, tudo serve para uma caminhada e arejar a cabeça.

Nos dias frios de Inverno, temos o hábito de acender a salamandra e espalhar velas pela casa para desfrutar do puro aconchego que o fogo nos dá. Já no Verão, gostamos de aproveitar os longos dias de sol com um churrasco no terraço voltado para o verde do Monsanto e o jantar ao ar livre ao por do sol.

A vossa casa está terminada ou estará sempre em permanente evolução?

A nossa casa é um projecto em eterna construção. Seguimos a filosofia que uma vez vi descrita num artigo do IKEA, primeiro viver a casa quando ainda está incompleta e, só depois de perceber como será a vivência na casa, completar com os objectos necessários. Vamos construindo peça a peça divisão a divisão, também à medida que encontramos os objectos certos que queremos que façam parte do nosso dia a dia (muitas vezes após muita ponderação e indecisão).

Recebem amigos e família frequentemente?

Gostamos muito de receber cá em casa e gostamos ainda mais que os nossos amigos e família se sintam em casa. Adoro os convívios em que todos se sentem à vontade para abrir os armários ou frigorifico e arregaçar as mangas para preparar iguarias em conjunto. Que terminam com todos descalços, sentados no chão a jogar um qualquer jogo de tabuleiro.

 

Obrigada Joana e Nuno por nos fazerem sentir em casa neste dia cinzento e de chuva!

 

Podem ver aqui a galeria completa e o vídeo desta house tour.

 

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Escrito por: Francisca e Joana

Somos a Joana e a Francisca, alinhamo-nos na simplicidade das coisas e complementamo-nos nas diferenças do dia-a-dia. Queremos partilhar o que nos inspira e o que nos leva a ser mais felizes. Acreditamos que esta partilha tem também o poder de inspirar o mundo a fazer o mesmo. Ler mais.

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