Mindfulness, a arte de viver o presente

Não sentem que andamos todos cada vez mais acelerados? Que as tecnologias, que vieram para nos facilitar a vida em muitos aspectos e fazer poupar tempo, só nos deixam mais atarefados? Que em vez de aproveitar o tempo que nos sobra, tentamos fazer o máximo de coisas para não ter a sensação de culpa por estar simplesmente meia hora sem fazer nada?

O tempo é o novo luxo dos tempos modernos.

A minha experiência

Quando andamos a correr contra o tempo, ainda por cima sem a sensação de realização, é preciso saber ouvir a nossa intuição e parar. Corrigir a rota ou simplesmente começar do zero.

Quando decidi sair de um trabalho estável um dos meus objectivos era simplesmente este: ter tempo.

Desde que decidi “mudar de vida”, e apesar de muitas vezes ainda me sentir sem certezas, não houve um único momento em que me tivesse arrependido, porque senti que o mais precioso que tinha ganho era tempo. E isso, digam o que disserem, não tem preço.

Tempo para fazer o que gosto; tempo para explorar, descobrir, experimentar, sonhar; tempo para errar e voltar ao início; tempo para mim; tempo para a família e para os amigos; tempo para simplesmente viver – e não ter aquela sensação de olhar para as semanas a fugir entre os dedos e coisas a acumularem-se sem fim na lista de intenções. Isso, pelo menos neste momento da minha vida, já ninguém me tira, e sei que me trouxe muitas coisas positivas.

Acho que não foi por acaso que, no meio deste processo e nesta altura da minha vida, descobri o mindfulness. Já tinha ouvido falar bastante e até já tinha feito um curso de introdução à meditação budista, mas nunca tinha aprofundado muito mais sobre o tema. Esporadicamente meditava e usava algumas apps que me ajudavam (por exemplo, Headspace). Mas quando descobri este curso de oito semanas, baseado no MBSR (Mindful Based Stress Reduction), no Centro Upaya, fiquei mesmo entusiasmada. Duas horas e meia por semana, durante oito semanas, que me ajudaram muito e que me deram novas ferramentas, auto-conhecimento e, sobretudo, me trouxeram mais tranquilidade e bem-estar.

 

O que é o Mindfulness?

Algumas pessoas a quem falo disto ainda ficam a olhar para mim. “Mind-quê?” – “isso é alguma seita?”

Percebo que o termo possa não ser familiar, mas o Mindfulness (em português, qualquer coisa como ‘Atenção Plena’) mais não é do que a capacidade de nos focarmos no momento presente, observando os pensamentos, sem fazer qualquer julgamento.

Isto pode ser feito, por exemplo, através da simples observação da nossa respiração.

 

E em que é que isto nos pode ajudar?

Com práticas de meditação mais formais ou mais informais (que podemos fazer até enquanto comemos ou tomamos banho e em quase todas as nossas actividades diárias), aprendemos a dominar as nossas reacções mais impulsivas (muitas vezes comandadas pelo “cérebro reptiliano”, que nos prepara para a acção ou fuga), a ter mais consciência do momento presente, do que se passa à nossa volta e, sobretudo, a não vivermos presos ao passado ou a sofrer por antecipação.

Aprendi que podemos (e devemos) aprender a estar mais connosco próprios, sem estar necessariamente a fazer nada. Que isto que se passa aqui dentro é bom, é respeitável, merece ser ouvido. Que podemos acalmar a mente em momentos de stress e de ansiedade simplesmente através da respiração, simplesmente observando o momento.

Há cada vez mais estudos que comprovam os benefícios do mindfulness, quer em pessoas com doenças crónicas quer em pessoas perfeitamente saudáveis.

De acordo com muitos especialistas, estamos a lidar neste momento com um sistema em overload de informação, ficando assim a atenção comprometida. E por isso é que mais que nunca precisamos de tempo para parar, respirar, criar, aprender, reflectir.

 

O perfeccionismo é só um pré-requisito para a infelicidade

Esta frase foi dita pelo Sagara (que orientou o curso de 8 semanas que fiz) e fez-me imenso sentido: o perfeccionismo é só um pré-requisito para a infelicidade. E não é mesmo? A vida é tão melhor quando relaxamos e simplesmente vivemos no presente, focando mais nas coisas positivas e baixando as expectativas sobre nós mesmos.

Recomendo a toda a gente – arrisco mesmo dizer que não há ninguém que não vá tirar alguma coisa de positivo deste curso.

 

Contactos e links úteis

Upaya (cursos de mindfulness, yoga, práticas de meditação, retiros, etc.)

Mindmatters Magazine

Livro Mindfulness. Atenção Plena.

App Headspace

 

Photo by Valentin Polo on Unsplash

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Escrito por: Francisca

Alfacinha e fã assumida da sua cidade. Nasceu e cresceu em Lisboa e embora adore sair e viajar, gosta sempre de voltar. Gosta de dias de sol, flores campestres, coisas imperfeitas e mergulhos no mar. Ler mais.

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