Os micróbios e a imunidade dos nossos filhos

Deixe-os comer terra. Este foi o livro que mais me marcou durante a gravidez. Comecei a lê-lo pouco depois de descobrir que estava grávida e foi o melhor que podia ter feito. 

Relativamente às questões de educação dos nossos filhos estamos sempre a tropeçar e a mudar de caminho, a tentativa e erro é uma constante, mas um bocadinho de ajuda para nos levar a compreender certos pontos do desenvolvimento deles é sempre bem vinda. 

O livro é escrito por dois professores universitários, um microbiologista e uma imunologista. Ambos dedicados a este tema há muitos anos e pioneiros em diversos estudos científicos acerca do microbioma humano.

Os autores começam por explicar os micróbios, de uma forma simples e sucinta, exploram depois o que acontece ao corpo de uma mulher grávida em termos de flora microbiana e de como isso afecta o seu filho durante a vida. Depois discutem o processo do parto, a amamentação, os alimentos sólidos e os primeiros anos de vida. 

Respondem a questões muito pertinentes devemos arranjar um animal de estimação? ou o que faço se a chucha cair no chão? e, mais importante que tudo o resto, a utilização de antibióticos.

Confesso que a questão dos antibióticos sempre me trouxe algumas dúvidas. Não deixo de reconhecer a sua importância e o quanto são necessários, mas hoje em dia existe alguma leveza em prescrever um antibiótico. Ao mínimo sintoma é a primeira opção que surge. E muitas vezes, senão demasiadas, é uma toma completamente desnecessária. Porque os antibióticos são óptimos para matar as bactérias más, mas levam de arrasto as bactérias boas. E as bactérias boas, muito faladas neste livro, são a base da nossa flora intestinal, da nossa imunidade, da nossa saúde. Devemos cuidar delas, evoluir com elas, dar-lhes a merecida importância. 

Confesso que foi este livro que me despertou para o facto de uma em cada três mulheres receberem antibióticos durante o parto devido à análise positiva de Estreptococos do Grupo B. Este teste é feito entre as 35 e as 37 semanas de gravidez e analisa a presença deste tipo de bactérias nas grávidas. Apesar de 15 a 40% das mulheres grávidas terem a presença desta bactéria e de haver uma possibilidade de a passarem ao bebé durante o parto, apenas 1 a 2% dos bebés desenvolve uma infecção devido à mesma. No entanto, este livro diz-nos que existem formas de tentar evitar a presença destas bactérias para que o teste seja negativo e não exista a necessidade da administração de antibióticos durante o nascimento do bebé. Se o consumo de probióticos Lactobacillus for aumentado, existe a possibilidade de o teste EBG ser negativo. Ao fazer algumas pesquisas sobre o assunto, percebi que poderia aumentar este consumo através da toma de probióticos ou do consumo de iogurtes ricos em probióticos. Nos últimos dois meses de gravidez comi dois iogurtes enriquecidos com probióticos todos os dias e o meu teste foi negativo. Evitei assim a toma de antibióticos durante o parto, o que iria influenciar o a flora microbiana do Sebastião logo ao nascer. Pode ter sido devido ao consumo de lactobacillus, como pode ter sido mera coincidência, mas na verdade fiquei alertar para este assunto e tentei adoptar a medida de prevenção que mais me fez sentido. 

No fundo a mensagem deste livro (sustentado pelos mais diversos estudos) é a de que “acreditamos que protegemos os nossos filhos quando os afastamos de todo e qualquer micróbio. Estamos a criar, infelizmente, um mundo hiper-higienizado que compromete a imunidade, promove as reacções alérgicas e tem efeitos nocivos até no comportamento e na actividade cognitiva”.

Deixe-os comer terra

Brett Finlay

Marie-Claire Arrieta

 

Photo by Corinne Kutz on Unsplash

Escrito por: Joana

Joana. Casada com o João. Mãe do Sebastião. Mãe emprestada de uma Teckel, a Sushi, e de um gato rafeirão, o Tozé. Vive em frente ao mar e adora o campo. Quer alcançar o significado da palavra devagar. Viver devagar, saborear cada segundo e cada detalhe. Ler mais.

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