Islândia, a terra do fogo e do gelo

Existe uma estrada que percorre toda a Islândia, num círculo perfeito, é a Ring Road. Foi a esta estrada que chamámos casa durante sete dias. A Ring Road começa e acaba em Reykjavik. São cerca de 2000 quilómetros de puras paisagens cénicas. Foram 2000 quilómetros em que sentimos a verdadeira força e beleza da natureza.

Começámos por alugar um carro e partimos para o norte, passámos por Borgarnes, Stykkisholmur e dormimos em Hvammstangi.

Muitas dos troços da Ring Road são de gravilha, o maior que percorremos tinha cerca de 50 quilómetros. Por isso as estradas fazem-se a pouca velocidade, apesar de pararmos e sairmos do carro constantemente para respirar e fotografar tudo o que nos rodeia.

Cada “cidade” não tem mais de 500 pessoas. Temos de ter em consideração o facto de a Islândia ser maior que Portugal e ter apenas 300 mil habitantes. As cidades/vilas são maioritariamente constituídas por uma escola, dois ou três restaurantes, algumas casas e dois ou três hotéis. É imperativo reservar os hotéis com antecedência, porque são muito poucos e a Islândia está a tornar-se um dos destinos mais procurados.

Perdemos algum tempo a pensar se deveríamos ir ao topo do norte, Siglufjordur, porque nos iria acrescentar cerca de 200 quilómetros de viagem num só dia, mas ainda bem que decidimos acertadamente. Não percam esta cidade. É a mais bonita de toda a ilha.

Ainda conduzimos até Akureyri para passar lá a noite. Akureyri é a segunda maior cidade da Islândia, com cerca de 17 mil habitantes.

Depois percorremos os largos quilómetros que nos separavam até ao lago Myvatn e Godafoss e Detifoss, duas das fantásticas quedas de água. Para chegar a Detifoss tivemos de caminhar durante dois quilómetros com neve até aos joelhos, não íamos preparados para isso, portanto fica a dica. Mas foi a mais impressionante queda de água a que assistimos. Não existe nada perto. Apenas neve. Não existe nada turístico perto das quedas de água, nem cafés, nem restaurantes, nada. É a natureza no seu estado mais puro. Apenas umas placas a assinalar o caminho e nada mais.

Depois são (apenas!) 200 quilómetros de estrada até à cidade mais próxima Seydisjkordur, onde ficámos mais uma noite.

A partir daqui começa a descida pela costa este, mas o norte da Islândia já nos tinha arrebatado o coração. Faz-nos imaginar imensos cenários que só existem em sonhos. É calmo, pouco povoado, a zona da ilha com menos turismo, a parte mais bonita de todas.

Ao quarto dia começámos a explorar a costa este da ilha. O nosso principal objectivo neste dia, além de fotografar os imensos fiordes pelo caminho era o de ir almoçar a Hofn os tão deliciosos lagostins. Passámos por vales imensos, vulcões, campos de lava, lagos a perder de vista, paisagens duras, sem qualquer tipo de árvores ou vegetação, tão tão bonitas à sua maneira.

Acordámos na manhã seguinte nesta casinha mais que querida, perdida entre a montanha e uma praia de areia negra a perder de vista, em Jokulsarlon.

Chegámos ao sul, é tempo de ver os imponentes glaciares! Muito frio, vento gelado, uma extensão de gelo a entrar no oceano a perder de vista. E quedas de água, imensas, gigantes, lindíssimas.

Nos últimos dias no sul, houve imensa chuva, mas nem por isso deixámos de ir até Vik, caminhar na praia de areia escura, no meio do oceano atlântico. O último dia foi passado em Reykjavik, na Blue Lagoon.

Foram oito dias de deslumbramento, de frio, de solidão a dois, de sanduíches e batatas fritas dentro do carro, de muitos quilómetros de estrada sem nos cruzamos com outro carro, de lagos a perder de vista e montanhas cheias de neve.

A islândia no seu melhor, feita de natureza intocada, de cortar a respiração, ainda muito muito pouco turística, ainda muito virgem e ainda mais bonita do que nestas fotografias. É preciso ir, respirar o ar cortante, sentir o silêncio, saborear o vazio.

E sim, estes semáforos existem, nas ruas de Akureyri.

Escrito por: Joana

Joana. Casada com o João. Mãe do Sebastião. Mãe emprestada de uma Teckel, a Sushi, e de um gato rafeirão, o Tozé. Vive em frente ao mar e adora o campo. Quer alcançar o significado da palavra devagar. Viver devagar, saborear cada segundo e cada detalhe. Ler mais.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *