Alimentação, o erro da “tudologia”

Começamos no vegan, passamos pelo vegetarianismo, pela macróbiótica, o paleo e acabamos nos crudíveros. Com tantos outros pelo meio. Afinal o que devemos comer? Em que rótulo nos devemos inserir? Será que fazemos bem em comer 80% de vegetais e apenas 5% de proteína? Será que devemos comer todos exactamente a mesma coisa? Não.

A primeira coisa a fazer é perceber o estado de saúde do nosso corpo, se está desidratado, com excesso de gordura ou simplesmente andamos mais cansados. Depois é preciso compreender o que nos faz bem, com o que nos sentimos satisfeitos mas ao mesmo tempo leves e com energia. Quais são os alimentos que promovem a vitalidade de que tanto necessitamos.

Segundo a Nutricionista Ana Rita Lopes, “hoje em dia, é comum ouvirmos falar de diferentes tipos de dietas – às vezes considero que existe até uma certa tudologia na área da alimentação, ou seja, as pessoas consideram que sabem tudo sobre uma área tão vasta e sob tanta investigação que é a alimentação. Mas, mais importante que uma dieta standard, que não tem em conta a individualidade de cada um, é fazermos uma alimentação ajustada às nossas necessidades, às nossas preferências e tolerância. Não temos que comer todos o mesmo, não há uma dieta certa para todos e não há um único caminho a seguir quando se fala de alimentação saudável. Consultar um nutricionista é a melhor forma de nos informarmos acerca da nossa composição corporal e de nos aconselharmos sobre o melhor tipo de dieta (leia-se alimentação diária) para os nossos objetivos, as nossas rotinas, a nossa atividade física e o nosso estado de saúde.” 

Mais do que nunca, rotularmos a nossa dieta, assim como a nossa vida, está a cair em desuso. Somos consensuais no que toda a certas questões, o malefício do excesso de proteína, das gorduras e dos açucares. Mas tudo o resto é uma questão de equilíbrio.

Uma alimentação saudável, em regra, deve ser incluir todos os alimentos dos diferentes grupos alimentares, nas proporções recomendadas. Devemos, então, incluir diariamente na nossa alimentação os cereais, os lácteos e derivados, a carne, o peixe e os ovos, as leguminosas, as frutas e os legumes. 

Algumas pessoas não toleram tão bem o leite, por não terem na sua flora intestinal, quantidades suficientes da enzima lactose, responsável por metabolizar a lactose presente no leite. Já os iogurtes e os queijos têm um menor teor de lactose, pelo que são melhor tolerados. Ainda assim, hoje em dia, existe muita oferta de leite e derivados sem lactose, assim como, existem alternativas vegetais que podem perfeitamente ser utilizadas. Importa saber como escolher para escolher bem.

Quanto aos açúcares, não esquecer que estes são o principal combustível das nossas células e, se é verdade que devemos reduzir a ingestão de açúcares simples como a sacarose (o açúcar branco), a verdade é que, até os doces fazem parte da pirâmide alimentar da dieta mediterrânica e que, em dias de exceção, podem ser consumidos. Realço que os açucares não devem, contudo, fazer parte da nossa alimentação diária, mas nunca devemos categorizar os alimentos como bons ou maus, sobretudo junto dos mais pequenos, portanto os açúcares não são maus! A regra deve ser uma alimentação isenta de açúcares de adição, já que os açúcares também se encontram de forma natural nos alimentos na quantidade que necessitamos, a exceção podem ser os dias de festa!   

Na escolha dos produtos alimentares, é importante ler os rótulos e a lista de ingredientes. Quanto maior for a lista de ingredientes, mais processado será o produto. Não é expectável que um iogurte tenha açúcar adicionado, mas acontece na maioria dos casos. Escolha lácteos e derivados sem adição de açúcares, contendo apenas os açúcares naturalmente presentes, ou seja, aqueles que não estão mencionados na lista de ingredientes – se lá estão mencionados, é porque foram adicionados ” – Ana Rita Lopes.

Numa perspectiva mais pessoal, há cerca de dez anos atrás retirei o leite de vaca da minha alimentação, não porque era moda, mas porque não me andava a sentir bem há alguns meses e durante uma semana fiz o teste de não beber leite. Senti-me muito melhor. Não o fiz com outros derivados, como o iogurte e o queijo porque sinto-me bem quando os incluo na minha alimentação. Depois li algumas coisas sobre o excesso de açúcar, pesquisei imenso e passei a comprar apenas iogurtes naturais sem adição de açúcar e deixei de beber refrigerantes. Hoje em dia a minha alimentação é praticamente à base de vegetais e cereais integrais porque voltei a fazer o teste de estar uma semana sem ingerir outro produto: a proteína animal. E na verdade, senti-me mesmo muito melhor. Ainda consumo ovos, algum peixe e pouco frango, mas as minhas refeições no geral são constituídas por vegetais e leguminosas sempre que posso. Mais alterações estarão para vir, com toda a certeza, resultado dos livros que vou lendo (e sobre os quais vos irei falar aqui) e das pesquisas que vou realizando.

Apesar de todas as modas, das informações muitas vezes contraditórias e dos imensos estudos que vão sendo feitos no que respeita à alimentação ideal, o mais importante e a que devemos dar atenção é ao nosso corpo. Como ele reage a certos alimentos, como se comporta face a outros, se nos sentimos com mais energia, se dormimos melhor, se sentimos saúde. Não tenham dúvidas, se precisarem de ajuda consultem um nutricionista, não devemos basear-nos em modas nem na tudologia alimentar. Ouvir o corpo e encontrar o equilíbrio é a tendência que devemos seguir.

 

Este artigo foi escrito em parceria com a Nutricionista Ana Rita Lopes, da Unidade de Nutrição do Hospital dos Lusíadas Lisboa.

 

Photo by Brooke Lark on Unsplash

Escrito por: Joana

Joana. Casada com o João. Mãe do Sebastião. Mãe emprestada de uma Teckel, a Sushi, e de um gato rafeirão, o Tozé. Vive em frente ao mar e adora o campo. Quer alcançar o significado da palavra devagar. Viver devagar, saborear cada segundo e cada detalhe. Ler mais.

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