Pais à Maneira Dinamarquesa

Li este livro no verão passado porque queria descobrir, como as autoras dizem, ‘o que sabem as pessoas mais felizes do mundo sobre como educar crianças confiantes e capazes’.

Nisto da maternidade (e da educação) ainda sou uma principiante, mas tenho consciência da importância que temos na educação dos nossos filhos. Isto não quer dizer querer ser perfeita. Mas gosto de ler coisas que de certa forma confirmam convicções que já tinha ou que contribuem para ter um pensamento e uma base mais estruturados para agir.

Acredito que nisto, como em muito na vida, não há livros de instruções, nem maneiras certas ou erradas de educar os nossos filhos. Tudo depende do contexto em que vivemos, do tipo de família, dos filhos que temos, do background que temos, da nossa própria educação.

Mas alguma coisa os dinamarqueses estarão a fazer bem, porque são eleitos quase todos os anos pela OCDE como o povo mais feliz e também estão no topo da lista do World Happiness Report, criado pelas Nações Unidas.

Escrito por uma psicoterapeuta dinamarquesa e por uma americana casada com um dinamarquês, ambas mães, o livro está estruturado através de um acrónimo simples – PARENT.

P de Play ou Brincar

As autoras defendem que não se deve impor demasiadas atividades ou obrigações às crianças, deixando o máximo de tempo para brincadeira livre. Está provado que isto pode diminuir a ansiedade e aumentar a resiliência das crianças.

Dar-lhes espaço e deixá-las resolver as coisas por si próprias cria auto-estima e autoconfiança genuínas.

  • Desligar (televisão, iphones, etc.)
  • Criar ambiente com materiais que estimulem os sentidos
  • Usar arte e deixá-los criar espontaneamente
  • Explorar lá fora – parque, jardim, praia (ar livre)
  • Misturar idades diferentes – favorece e facilita aprendizagem de todos
  • Brincar a sério, ao nível deles
  • Deixá-los brincar sozinhos – desenvolve fantasia e imaginação

E, acima de tudo, relaxar!

 

A de Autenticidade

Achei curiosa a referência aos finais dos filmes dinamarqueses, que são tipicamente sombrios, tristes ou mesmo trágicos. Vários estudos demonstram que isto tende a fazer-nos refletir na nossa própria vida com outra perspectiva, mais positiva.

  • Honestidade emocional – ouvir e exprimir os nossos verdadeiros pensamentos e sentimentos e ensinar isso aos nossos filhos
  • Responder com honestidade às perguntas dos nossos filhos
  • Ensinar a honestidade como um valor na base de qualquer comportamento e relacionamento
  • Ler histórias que abranjam todo o tipo de emoções (não só histórias com final feliz)
  • Elogiar o processo (e não apenas o resultado) – focar o elogio no esforço envolvido e não na capacidade inata aumenta a auto-estima e a perseverança a longo prazo
  • Concentrar-se no esforço envolvido na aprendizagem cria uma mentalidade de crescimento
  • Ensiná-los a não se compararem com as outras crianças

 

R de Reenquadramento

Praticar o reenquadramento ajuda-nos a transformar os pensamentos negativos em coisas diferentes, lidando assim melhor com os altos e baixos da vida.

  • Usar menos linguagem limitadora – adoro isto, odeio aquilo, sempre, nunca, e por aí fora. Este tipo de linguagem implica ver as coisas de um único ângulo
  • Distinguir as ações das pessoas: em vez de dizer “ela é preguiçosa” dizer “ela deixou-se levar pela preguiça” (é diferente de rotular as pessoas com estas caraterísticas)
  • Usar o humor para aligeirar situações e dar uma nova perspetiva

 

E de Empatia

Empatia é a capacidade de reconhecer e compreender os sentimentos dos outros. É colocarmo-nos na pele da outra pessoa, o que nem sempre é fácil.

O que pode ajudar a treinar e a praticar a empatia:

  • Compreender os outros
  • Notar e identificar emoções e ajudar os nossos filhos a verem as emoções dos outros
  • Ler, ler, ler: estudos demonstram que ler para as crianças aumenta significativamente os seus níveis de empatia
  • Não ter medo de ser vulnerável e de mostrarmos as nossas próprias emoções

 

N de Nada de ultimatos

Os ultimatos normalmente aparecem em situações de quase desespero, em que estamos cansados, os nossos filhos desobedecem, já dissemos a mesma coisa mil vezes e, apesar dos nossos melhores esforços, eles continuam a fazer o mesmo.

Por isso, as autoras sugerem, entre outras estratégias, algumas dicas:

  • Distinguir o comportamento da criança (a criança não é má, o comportamento é que é mau e também há más formas de educar)
  • Não procurar lutas de poder, mas tentar ver as situações como “win-win” em que podem sair todos a ganhar
  • O ciclo reflecte-se em nós: o bem gera o bem, descontrolo gera descontrolo e calma gera a calma
  • Ambos os pais devem estar alinhados no estilo com que decidem educar os seus filhos
  • Contextualizar um mau comportamento pode ajudar a explicar certas situações. Tal como nós, as crianças também têm dias piores e por isso vale a pena tentar perceber o que pode ter estado na origem de certo comportamento

 

T de Tempo juntos (e Hygge)

Hygge significa literalmente “aconchego” e é uma forma de vida para os dinamarqueses. Envolve acender velas, jogar jogos juntos, cantar, comer refeições agradáveis e, de uma forma geral, estar numa atmosfera acolhedora.

Os dinamarqueses aplicam isto à vida dentro de casa e por isso algumas das propostas para aumentar o tempo de qualidade em família são:

  • Fazer um pacto e deixar os factores de stress à porta de casa (deixar os telemóveis, pelo menos às horas das refeições ou em momentos importantes juntos, também é uma ideia)
  • Preparar coisas em casa, festas, decorações ou refeições é uma boa maneira de tornar uma atmosfera acolhedora
  • Keep it simple – muitas vezes não é preciso muito para os miúdos se divertirem e estarmos todos bem
  • Encorajar a brincadeira e actividades em equipa
  • Implementar uma noite ou um dia por semana para fazer actividades em família (ex: movie+pizza night!)

Identifico-me muito com esta abordagem prática, descomplicada e alegre e encontrei neste livro algumas dicas e insights divertidos e maneiras criativas de olhar para isto da educação. Espero conseguir colocar cada vez mais em prática e que algumas dicas também vos sejam úteis.

Pais à Maneira Dinamarquesa
Jessica Joelle Alexander e Iben Dissing Sandahl

Imagem 1 by Priscilla Du Preez on Unsplash Imagem 2 e 3 by Daiga Ellaby on Unsplash

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Escrito por: Francisca

Alfacinha e fã assumida da sua cidade. Nasceu e cresceu em Lisboa e embora adore sair e viajar, gosta sempre de voltar. Gosta de dias de sol, flores campestres, coisas imperfeitas e mergulhos no mar. Ler mais.

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